"É isto que se vai usar neste inverno" ou "é esta a moda do próximo verão" é uma expressão habitual em especialistas e imprensa dedicada à moda. Mas paremos para pensar no que ela implica. Quem decide que isto se vai usar ou vai ser moda esta temporada? Ninguém em concreto. Ora, porque razão então é que eu vou seguir conselhos de quem não conheço, na verdade de quem nem sequer tem rosto? E se se vai usar neste inverno não se usou no anterior nem se usará no próximo. Sendo assim o que é que eu faço à roupa, vendo, dou? Não é muito racional e potencialmente dispendioso
A moda é uma ideia que nasceu no século passado e que visou tornar um consumo plurianual em sazonal. Foi ditado por razões económicas, não estéticas. É um apelo ao consumismo, é uma pressão sobre as pessoas no sentido de que estas comprem aquilo que não precisam nem querem. Por alguma razão os seguidores da moda não são conhecidos em inglês como fashion leader ou fashion cool mas fashion victim.
Há quem diga que aquilo que se vê na passerelle não serve para ser vestido, que é arte. Concedo que assim seja, ainda que a roupa seja um mau suporte para a arte por limitar a liberdade criativa. Numa tela ou página em branco não há barreiras para a criação livre mas a roupa restringe-a. Na passerelle até podemos ver arte mas no máximo é uma arte contida e enclausurada pelas debilidades da matéria trabalhada.
Se o mundo da moda é arte então como se faz a ponte para aquilo que vestimos? Roupa é design. Por isso se diz que a moda não é para se vestir, é para inspirar. Para a roupa feminina até poderá ter alguma influência mas na masculina não. A roupa, principalmente masculina, tem uma função bem delineada. Os homens olham para as roupa quase como olham para os carros ou as ferramentas, form follows function, e por isso não espanta que a roupa masculina encontre muito mais inspiração nos militares do que nos criadores de moda.
Nem aquilo que usamos encontra inspiração no que os criadores de moda fazem nem aquilo que gostamos de usar sofre revoluções semestrais como o mundo da moda gostaria que acontecesse. O gosto é algo que evolui de forma lenta e silenciosa sem clivagens. O nosso gosto é inspirado pelo que nos rodeia, no dia-a-dia, e vai mudando devagar, quase sem darmos por isso. Acho divertido que os exemplos de estilo masculino que as revistas de moda gostam muitas vezes de dar sejam George Clooney, Jude Law ou Brad Pitt, homens que têm uma forma de vestir bastante convencional, bem longe daquilo a que nos querem fazer querer estar na moda.
O mundo da moda é cheio de contradições e a noção da sua própria dimensão é outra delas. Diz-se que o mundo da moda move biliões mas não é bem assim. Na lista dos dez homens mais ricos está em 4º Bernard Arnault dono do grupo LVMH que detém entre outras marcas de luxo a Louis Vuitton, em 5º Armando Ortega (Inditex) e 6º Stefan Person (H&M). Estes homens não pertencem ao mundo da moda. A Louis Vuitton aposta na tradição e nos valores clássicos, o contrário da vanguarda cara à moda. E o sucesso da Zara e da H&M consiste em dar aos consumidores aquilo que eles querem, precisamente o inverso da moda que ambiciona moldar a vontade destes. A inspiração para as colecções da Zara e da H&M vem das ruas não das passerelles. O mundo da moda é vasto mas muito menos do que se proclama. E acredito (não tenho números para confirmar) que o seu sustento venha muito mais da venda de revistas, óculos e perfumes do que de roupa.
Nada tenho conta o mundo da moda. É uma actividade económica tão válida quanto outra. Mas nunca tive a ilusão de que a moda influencia a forma como nos vestimos. Com a maturidade creio que todas as pessoas com gosto procuram vestir com um estilo subtil e perene, longe da transitoriedade e notoriedade perseguida pelo mundo da moda.
novembro 19, 2012
novembro 14, 2012
Vamos falar de fibras
As percentagens são discutíveis, mas uma peça de roupa é definida em 50% pelo corte, 25% pelos detalhes/cor/padrão e 25% pelo tecido.
Os homens, erradamente, dão pouca importância ao corte mas, como tenho insistido, é aperfeiçoando aí que melhor se consegue atingir o objectivo "andar bem vestido".
Os detalhes (botões, fechos, golas) cores e padrões da roupa são mais valorizados porque traduzem mais a personalidade de cada um. Ao passo que o corte e o tecido da roupa obedece a directrizes mais objectivas e rígidas, no que toca aos detalhes e cores a subjectividade do gosto deve ser protagonista. Ainda que regras básicas, como padrões ou bolsos serem mais informais do que peças lisas, devam ser atendidas é na cor e nos detalhes da roupa que se forja a imagem estética que queremos passar.
Ficam a faltar as fibras que compõem os tecidos. A grande maioria dos homens não tem consciência da diversidade de fibras que podem ser usadas para fazer roupa e acredito que a maioria nunca olhe para a etiqueta antes de comprar. Mas se o sexo masculino não é capaz de dissertar sobre fibras qualquer ser humano é capaz de as distinguir pelo tacto e visão.
Quando se é adolescente e se vestem roupas disformes, com bonecos e frases, de cores/padrões garridos que rapidamente se deixa de gostar o tecido de que são feitas tem menos relevância. Mas quando se amadurece e o estilo, o conforto e intemporalidade do guarda-roupa deixam de ser palavras vãs, os tecidos começam a importar. E o guarda-roupa de um homem só deve ter roupa feita com fibras naturais (linho, algodão, lã, seda, etc.). As fibras sintéticas (poliéster, viscose, nylon, etc) não têm o mesmo tacto, aspecto, durabilidade ou capacidade de se moldarem ao corpo de uma fibra natural. As roupas composta por fibras sintéticas nunca caem tão bem no corpo, não se prestam a serem ajustadas por um alfaiate/costureira da mesma forma nem têm um aspecto tão luxuoso.
Claro que já estará a comentar que o luxo vem acompanhado do preço. É verdade que não há milagres, que uma gravata 100% caxemira tem de custar mais do que uma 100% poliéster. Mas atenção que muitas marcas vendem roupa com misturas de fibras naturais e sintéticas pelo preço que outras pedem pelo mesmo artigo em tecido completamente natural.
Defendo ter menos roupa, mais sóbria e natural do que muita sintética. Vejamos o exemplo de um cardigan azul marinho, sem gola, sem bolsos e com botões castanho ou azul escuros. É uma peça clássica, intemporal que sempre se usou e sempre se usará. Que sentido faz comprar um cardigan assim se não for 100% natural? Se quiser poupar espere pelas promoções, todos os anos muitas marcas têm cardigans azul marinho nas suas colecções. Se o comprar com viscose ou poliéster, mesmo que numa percentagem baixa do tecido, sempre que se sentar no sofá com ele para ver um filme vai arrepender-se de o ter feito.
Dentro das fibras naturais há margem para o nosso gosto na hora de optar pois cada fibra natural tem as suas características e personalidade. O linho e algodão são mais informais do que a lã e seda. O linho mais fresco próprio para o verão e a lã mais quente adaptada ao inverno. Mais do que a maioria dos homens se possa aperceber conscientemente, o mesmo casaco (corte, cor, estilo) feito em algodão ou lã fica diferente. E existem ainda as misturas entre fibras naturais para mesclar características. Por exemplo, as camisolas em lã/seda têm um aspecto lustroso e elegante e os blazers em linho/algodão um visual descontraído e confortável.
Olhar para a etiqueta da composição deve ser algo tão normal de se fazer quando se compra roupa como olhar para a do preço. Até gosto de passar o tecido entre os dedos e tentar adivinhar a composição antes de confirmar na etiqueta.
Os homens, erradamente, dão pouca importância ao corte mas, como tenho insistido, é aperfeiçoando aí que melhor se consegue atingir o objectivo "andar bem vestido".
Os detalhes (botões, fechos, golas) cores e padrões da roupa são mais valorizados porque traduzem mais a personalidade de cada um. Ao passo que o corte e o tecido da roupa obedece a directrizes mais objectivas e rígidas, no que toca aos detalhes e cores a subjectividade do gosto deve ser protagonista. Ainda que regras básicas, como padrões ou bolsos serem mais informais do que peças lisas, devam ser atendidas é na cor e nos detalhes da roupa que se forja a imagem estética que queremos passar.
Ficam a faltar as fibras que compõem os tecidos. A grande maioria dos homens não tem consciência da diversidade de fibras que podem ser usadas para fazer roupa e acredito que a maioria nunca olhe para a etiqueta antes de comprar. Mas se o sexo masculino não é capaz de dissertar sobre fibras qualquer ser humano é capaz de as distinguir pelo tacto e visão.
Quando se é adolescente e se vestem roupas disformes, com bonecos e frases, de cores/padrões garridos que rapidamente se deixa de gostar o tecido de que são feitas tem menos relevância. Mas quando se amadurece e o estilo, o conforto e intemporalidade do guarda-roupa deixam de ser palavras vãs, os tecidos começam a importar. E o guarda-roupa de um homem só deve ter roupa feita com fibras naturais (linho, algodão, lã, seda, etc.). As fibras sintéticas (poliéster, viscose, nylon, etc) não têm o mesmo tacto, aspecto, durabilidade ou capacidade de se moldarem ao corpo de uma fibra natural. As roupas composta por fibras sintéticas nunca caem tão bem no corpo, não se prestam a serem ajustadas por um alfaiate/costureira da mesma forma nem têm um aspecto tão luxuoso.
Claro que já estará a comentar que o luxo vem acompanhado do preço. É verdade que não há milagres, que uma gravata 100% caxemira tem de custar mais do que uma 100% poliéster. Mas atenção que muitas marcas vendem roupa com misturas de fibras naturais e sintéticas pelo preço que outras pedem pelo mesmo artigo em tecido completamente natural.
Defendo ter menos roupa, mais sóbria e natural do que muita sintética. Vejamos o exemplo de um cardigan azul marinho, sem gola, sem bolsos e com botões castanho ou azul escuros. É uma peça clássica, intemporal que sempre se usou e sempre se usará. Que sentido faz comprar um cardigan assim se não for 100% natural? Se quiser poupar espere pelas promoções, todos os anos muitas marcas têm cardigans azul marinho nas suas colecções. Se o comprar com viscose ou poliéster, mesmo que numa percentagem baixa do tecido, sempre que se sentar no sofá com ele para ver um filme vai arrepender-se de o ter feito.
Dentro das fibras naturais há margem para o nosso gosto na hora de optar pois cada fibra natural tem as suas características e personalidade. O linho e algodão são mais informais do que a lã e seda. O linho mais fresco próprio para o verão e a lã mais quente adaptada ao inverno. Mais do que a maioria dos homens se possa aperceber conscientemente, o mesmo casaco (corte, cor, estilo) feito em algodão ou lã fica diferente. E existem ainda as misturas entre fibras naturais para mesclar características. Por exemplo, as camisolas em lã/seda têm um aspecto lustroso e elegante e os blazers em linho/algodão um visual descontraído e confortável.
Olhar para a etiqueta da composição deve ser algo tão normal de se fazer quando se compra roupa como olhar para a do preço. Até gosto de passar o tecido entre os dedos e tentar adivinhar a composição antes de confirmar na etiqueta.
novembro 13, 2012
Cores nos pés
outubro 09, 2012
O estilo insuperável dos italianos
Existem boas razões para os homens italianos serem considerados os mais bem vestidos do mundo. Aqui está uma incontestável. Desde o tom cinzento do blazer à caixa quadrada do relógio e à cor azul dos óculos o conjunto seria dificilmente melhorável.
outubro 01, 2012
Camadas de inverno
Para quem gosta de pensar no que veste estamos entrar na melhor altura do ano, aquela em que podemos jogar com as camadas (layering) de roupa para enriquecer e diversificar a forma como nos apresentamos dia após dia. Contudo para quem vive em Portugal (principalmente no sul), ou é naturalmente encalorado como eu, o Outono e o Inverno não são as épocas fantásticas que vive um inglês ou sueco mais atento à roupa. Tudo porque os termómetros nunca chegam a baixar o suficiente para tirar todo o potencial do layering. O máximo que consigo fazer (e já são dias excepcionais) são três camadas (tipicamente camisa-camisola/cardigan-casaco/blazer) mas o mais habitual é ficar-me pelas duas.
Para ultrapassar esta contingência geográfica tenho procurado seguir as seguintes regras à medida que vou renovando o meu guarda-roupa.
Para ultrapassar esta contingência geográfica tenho procurado seguir as seguintes regras à medida que vou renovando o meu guarda-roupa.
- Manter as duas camadas inferiores tão frescas quanto possível. E quando me refiro às duas inferiores quero dizer camisa (usada sobre o corpo) e camisola/cardigan/colete. Para o conseguir acho aconselhável descartar tecidos mais grossos como o algodão oxford em favor de outro mais fino como o poplin. Esta opção tem ainda outra vantagem. Deixamos de ter camisas de verão e inverno e passamos a ter camisas para todo o ano reduzindo assim o stock e o espaço ocupado pelas mesmas.
- Ao fim de semana pode-se e deve-se trocar as camisas por t-shirts ou henleys. Tal como as camisas, de algodão fino. No inverno prefiro t-shirts e henleys de manga comprida dado que detesto a sensação de ter uma manga curta enrolada debaixo de uma camisola. As t-shirts e henleys de inverno são peças básicas e como tal na minha opinião não devem brilhar num outfit. Por essa razão só os compro em cores neutras e pálidas.
- A segunda camada (camisola/cardigan) deve também ser fina. Por essa razão ponho de lado os itens 100% lã e privilegio o algodão. Como esta camada é normalmente intermédia pode-se optar por prescindir das mangas da camisola e cardigan (que não se vêem de resto). Em alternativa pode-se optar pelo colete clássico mais elegante. Falando em cores sou da opinião que as camisolas e os cardigans podem ser em cores que saiam da palete básica. O mostarda, o turquesa, o rosa ou o laranja são excelentes opções para uma camisola ou cardigan.
- Um artigo que faz uma camada intermédia muito versátil e impactante é a écharpe/cachecol. Novamente eu fujo daqueles em lã grossa pois isso é receita para eles não saírem do armário todo o inverno. Quanto a cores e padrões é um mundo mas o meu conselho é ter sempre os dois básicos (cinza e navy) antes de avançar para os mais radicais
- Os sobretudos (como o nome indica), gabardinas e trenchs nasceram para ser usadas como quarta camada (por cima do casaco). Mas em Portugal, quatro camadas para mim chama-se castigo por isso passei a apostar em usá-los não como escudo mas como substituto dos casacos. Desta forma compro-os num número abaixo do que o normal e mantenho-os slim como se de um blazer se tratassem.
setembro 27, 2012
Sarar Outono/Inverno 2012
Descobri esta marca há pouco tempo com a qual me identifico. Não mostra nada de novo mas, como diz o adágio, mais vale andar bem vestido do que ser original. Creio que aquilo que mais gosto na marca é o facto de ser turca, uma paragem raramente associada a roupa masculina elegante. A Sarar não só revela a ascensão económica do pais mas também o aparecimento na cena mundial de novas fontes de estilo masculino o que me parece muito desejável.
Esta colecção outono/inverno mostra bem a ingenuidade e simplicidade da marca. Mas mantendo-se dento dos cânones clássicos consegue bons resultados.
setembro 25, 2012
GQ Japão - Setembro 2012
Não ligo a moda pelo que não sou leitor das revistas da área. Do muito pouco que conheço acho que só algumas edições estrangeiras da GQ têm produções relevantes para o estilo masculino. Em post anteriores dei a conhecer algumas produções da edição americana com o Ewan McGregor, Jean Dujardin e Lewis Hamilton. Desta vez mostro esta magnífica produção do último número da GQ nipónica. Realizada na Universidade de Oxford é uma justa homenagem ao fabuloso estilo britânico.
Os fatos de corte justo, a trench coat ou o overcoat double breasted a 3/4 são a quintessência da forma de vestir do clássico homem inglês. Também o tecido tweed ou o padrão Prince of Wales são indissociáveis do estilo inglês sóbrio mas sempre sedutor. Chega de palavras, ficam as fotos.
Os fatos de corte justo, a trench coat ou o overcoat double breasted a 3/4 são a quintessência da forma de vestir do clássico homem inglês. Também o tecido tweed ou o padrão Prince of Wales são indissociáveis do estilo inglês sóbrio mas sempre sedutor. Chega de palavras, ficam as fotos.
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