Não tenho por hábito promover produtos no blogue mas o que trago hoje não é um produto, é um milagre. As boas botas para andar de moto servem os propósitos de defender os pés e tornozelos dos elementos, interferirem ao mínimo na aerodinâmica e protegerem em caso de queda. São critérios que fazem sentido enquanto se está a andar de moto. Fora dela, as botas de moto são feias, desesperantemente quentes e irremediavelmente desconfortáveis. Até agora.
A marca francesa Vitesse afirma no seu site ter conseguido construir a bota de moto total, tão eficazes a conduzir a 200 km/h quanto confortáveis quando sentado numa esplanada. Quanto à ergonomia não posso opinar mas esteticamente são uma revelação. O modelo Hunt (nas fotos) é um objecto de elegância desconhecida no universo motociclista.
junho 27, 2012
junho 25, 2012
Homenagem ao estilo transalpino
Falhei a publicação do look na passada segunda-feira, esta semana não podia deixar de o fazer. Mas com as temperaturas a superarem os 30ºC não é fácil vestir blazers assertoados. Estes devem estar sempre apertados quando vestidos, e não apenas no botão visível, mas também no gémeo escondido. Tanto tecido preso por apenas um botão desfigura o cair do blazer. Contudo hoje queria prestar uma homenagem ao estilo italiano e, como são as marcas italianas que estão a recuperar o blazer assertoado, uma homenagem justa teria de o incluir.
Igualmente trendy, e indiscutivelmente mais italiano do que o blazer DB, é o sapato monk strap, cuja tradução à letra é monge cinta. O nome advém da sua origem pois este tipo de sapato foi usado inicialmente pelas congregações de monges que habitavam nos Alpes italianos. E claro, do uso de fivelas para o prender ao pé. Hoje em dia é um sapato de formalidade intermédia abaixo dos blucher e acima dos loafer e como tal bastante versátil. Não só gosto do estilo dos monk strap de duas fivelas como eles se encaixam no nível de formalidade da roupa que uso.
Sou esquisito em relação a sapatos e aquilo que que tenho mais dificuldade em comprar são sapatos formais. As boas marcas, como a Carmina ou Crockett & Jones, para não referir outras ainda mais caras, sabem fazer sapatos formais bonitos mas muito caros. Abaixo desse price level as coisas complicam-se. As marcas procuram tornar os seus modelos distintos e, pelo menos para o meu gosto, caem muitas vezes no erro de conceber modelos overstyled.
Sorte a minha há umas semanas ter deparado com estes double monk strap perfeitos. A biqueira é alongada e quadrada na medida exacta. Os restantes detalhes são exactamente como eu acho que o monk strap ideal deve ser. São em camurça chocolate, as fivelas são pequenas e afastadas e a ponta é cap toe. De aspecto o sapato parece-me luxuoso, vamos ver se supera o teste do tempo. Apesar do nome da marca - Montenapoleoni - são portugueses e feitos em Portugal.
Para reproduzir o estilo italiano não basta calçar O sapato italiano, é preciso usá-lo como se faz em Milão no verão, isto é, sockless e com a fivela posterior desapertada. Não apertando a segunda fivela o monk strap descalça-se como um slip on. Também ajuda a ventilar e refrescar o pé.
Como o restante outfit é todo neutro em cores aproveitei para vestir estas calças mais exuberantes. São de uma mistura algodão/linho muito leve. O verão é de resto uma altura para deixar as gangas e os chinos no armário.
Última nota para a gravata vichy (ou gingham). Já tenho mencionado este padrão que funciona em quase todas as peças e que se encaixa facilmente nos looks, principalmente se a única cor não branca for o azul marinho como aqui.
junho 24, 2012
Pitti Uomo 82, concentrado de estilo
Decorreu na semana passada em Florença (Itália), entre os dias dias 19 e 22 de Junho, a Pitti Uomo 82. Ficam algumas das fotos que mais me chamaram a atenção.
junho 23, 2012
A influência global de Nick Wooster
Eu sei que você andava a contar os dias até eu publicar um post sobre o Nick Wooster. Nos dias que correm não existe blogue de estilo masculino que não o mencione ou não o tenha referenciado como um semi-Deus. Este americano baixo e com ar de rúfia é seguramente o homem mais influente da blogosfera de estilo. E nos dias de hoje isso quer dizer do estilo de forma global. O uso da palavra estilo em vez de moda não é inocente. Não tenho particular interesse por moda mas desenvolverei o tema noutro post. Voltando a este creio que uma tendência que se acentua cada vez mais é o estilo ser ditado na net o que acho de salutar. É a democratização e a humanização do gosto. O Nick Wooster é o rei deste fenómeno e merecidamente.
Pessoalmente divido claramente o estilo do Nick Wooster em duas zonas, abaixo e acima da cintura. Na zona inferior acho-o mediano, na superior magistral. Acho que ele usa as calças demasiado curtas e largas que lhe acentuam a sua baixa estatura. Às vezes opta por aquelas calças com caveirinhas ou tubarões que sinceramente não consigo achar piada nenhuma. Quanto aos sapatos gosta deles bojudos e pouco delicados e tem predilecção por Longwings que é um género de que não gosto.
Já acima do cinto existem poucas fotos em que não esteja perfeito. Nessa zona é para mim o homem mais bem vestido do mundo. Começa pela irresistível conjugação de tecidos clássicos (tweed e herringbone) com cortes slim. As cores são normalmente sóbrias, clássicas e sem brilho. Azuis e rosas pálidos nas camisas. Cinzas, azuis escuros e castanhos nos casacos e gravatas. O homem tem swag. Não veste aquelas roupas flashy e assexuadas que vemos nos desfiles de moda. Tem estilo. É masculino. Veste-se à homem.
Daquilo que o caracteriza (já mencionei as calças curtas ou os brogue longwing) destaco as três que mais lhe admiro:
1. O padrão camuflado que ele sabe integrar e conjugar como ninguém (ver primeira foto).
2. O pendant casaco/gravata que acho genial (ver primeira e segunda foto).
3. O pendant camisa gravata de que gosto moderadamente (ver última foto).
Infelizmente não basta apenas o gosto e a visão. É preciso alfaiataria para vestir assim. Ou não! Se calhar talvez venham a haver boas novidades em breve. Alguém reparou na farda dos rapazes da Zara este ano? Andavam de camisa e gravata vichy azuis iguais, numa nítida inspiração Wooster. Não somos só nós que percorremos a blogosfera. Os designers da marca espanhola também. Aliás, não é por mero acaso que é a marca de roupa mais vendida no mundo.
Da primeira vez que vi perguntei a um deles se existia para venda sabendo que era só para o staff. Mas desconfio que a marca o tenha feito para sondar viabilidade comercial e não custa deixar opinião. Não vou apostar mas desconfio que na próxima época a Zara terá alguns conjuntos camisa/gravata vichy. Quanto a mim tenho mais expectativa de um conjunto blazer/gravata mais upmarket feito pela Massimo Dutti.
Se algum responsável por uma marca portuguesa lê o blogue fica aqui o meu conselho: Aposte em acessórios camuflados e nuns conjuntos camisa/gravata em tons sóbrios. O fenómeno Wooster em breve chegará às ruas.
Pessoalmente divido claramente o estilo do Nick Wooster em duas zonas, abaixo e acima da cintura. Na zona inferior acho-o mediano, na superior magistral. Acho que ele usa as calças demasiado curtas e largas que lhe acentuam a sua baixa estatura. Às vezes opta por aquelas calças com caveirinhas ou tubarões que sinceramente não consigo achar piada nenhuma. Quanto aos sapatos gosta deles bojudos e pouco delicados e tem predilecção por Longwings que é um género de que não gosto.
Já acima do cinto existem poucas fotos em que não esteja perfeito. Nessa zona é para mim o homem mais bem vestido do mundo. Começa pela irresistível conjugação de tecidos clássicos (tweed e herringbone) com cortes slim. As cores são normalmente sóbrias, clássicas e sem brilho. Azuis e rosas pálidos nas camisas. Cinzas, azuis escuros e castanhos nos casacos e gravatas. O homem tem swag. Não veste aquelas roupas flashy e assexuadas que vemos nos desfiles de moda. Tem estilo. É masculino. Veste-se à homem.
Daquilo que o caracteriza (já mencionei as calças curtas ou os brogue longwing) destaco as três que mais lhe admiro:
1. O padrão camuflado que ele sabe integrar e conjugar como ninguém (ver primeira foto).
2. O pendant casaco/gravata que acho genial (ver primeira e segunda foto).
3. O pendant camisa gravata de que gosto moderadamente (ver última foto).
Infelizmente não basta apenas o gosto e a visão. É preciso alfaiataria para vestir assim. Ou não! Se calhar talvez venham a haver boas novidades em breve. Alguém reparou na farda dos rapazes da Zara este ano? Andavam de camisa e gravata vichy azuis iguais, numa nítida inspiração Wooster. Não somos só nós que percorremos a blogosfera. Os designers da marca espanhola também. Aliás, não é por mero acaso que é a marca de roupa mais vendida no mundo.
Da primeira vez que vi perguntei a um deles se existia para venda sabendo que era só para o staff. Mas desconfio que a marca o tenha feito para sondar viabilidade comercial e não custa deixar opinião. Não vou apostar mas desconfio que na próxima época a Zara terá alguns conjuntos camisa/gravata vichy. Quanto a mim tenho mais expectativa de um conjunto blazer/gravata mais upmarket feito pela Massimo Dutti.
Se algum responsável por uma marca portuguesa lê o blogue fica aqui o meu conselho: Aposte em acessórios camuflados e nuns conjuntos camisa/gravata em tons sóbrios. O fenómeno Wooster em breve chegará às ruas.
junho 22, 2012
Sóbrio e ajustado
Desde já aviso, hoje não há nada de novo ou cintilante. Só artigos neutros e já mostrados noutros looks anteriores. Alguns dirão que é monótono, eu chamo-lhe sóbrio. Interprete como a minha sugestão para quem vai pela primeira vez a casa dos futuros sogros. Ou para aqueles dias em que damos tudo para passarmos despercebidos. Não que isso fosse possível assim vestido. Não é vaidade, é a constatação de que 90% dos homens portugueses não se vestiriam assim. Porquê? Por duas razões.
1ª razão: as calças brancas. É quase tabu em Portugal, mas erradamente. O branco dá com tudo. Vista umas calças brancas e é menos uma conjugação para fazer. Que homem não gosta desta simplificação? Estas são as clássicas 501 da Levi's que, para não conhece a numeração da marca, é o seu corte mais clássico. Demasiado clássico para mim que uso as calças mais curtas do que o normal. Na verdade uso-as no comprimento correcto, a maioria dos homens é que as usa compridas demais. As calças devem terminar em cima da pala de um sapato de atacadores. A bainha pode dobrar ligeiramente mas nunca enrugar. As rugas encurtam as pernas e dão um ar descuidado. E a personalização não pode ficar a meio.
Umas calças com o comprimento correcto exigem outra coisa, a correcta largura da perna. O corte da perna das 501 é direito mas o diâmetro da perna masculina é igual na coxa, joelho e tornozelo? Não, não é. A roupa devem seguir o contorno do corpo por isso mandei afunilar a parte inferior das calças. Creio que estas foram reduzidas para 20cm de largura na bainha. Actualmente estabeleci esse valor nos 18cm que me parece ser o valor correcto para a minha fisionomia. Naturalmente não o faço em todas as calças mas de origem este par fazia-me parecer o John Travolta em Saturday night fever. Inadmissível.
Fora o corte das pernas estes jeans são perfeitos. Estive cerca de dez anos sem comprar calças Levi's mas estas são as calças de ganga com mais qualidade que tenho. A ganga tem o grande inconveniente de alargar mas começo a achar que este par não precisará de ser apertado como é costume nas calças de ganga. Para mitigar este problema compro as calças num número que em me fique ligeiramente apertado quando novas. E tento usar as calças umas dez vezes antes da primeira lavagem para elas se formarem ao corpo antes de levarem a tareia da máquina de lavar. Eu sei, se forem brancas é um desafio usar tantas vezes sem lavar. Existe uma terceira dica, lavar os jeans sempre à mão. Eu passo esta muito obrigado.
2ª razão: o blazer cintado. 90% dos homens usa os blazers um número ou mais acima do correcto. Para quem não recorre a alfaiate, um blazer pronto-a-vestir é essencial que fique bem nos ombros porque é a correcção mais dispendiosa e trabalhoso de se fazer. A costura deve ficar exactamente onde o ombro termina e o braço começa. Se não lhe ficar bem no ombro esqueça, há mais marés que marinheiros. Recomendo que escolha o número mais pequeno com que consiga mexer os braços, mesmo que em certa posições sinta tensão no tecido. Não vai usar o blazer para jogar basquetebol ou trabalhar no campo. A mobilidade dos braços não é prioritária, a silhueta dos ombros sim.
Já não usava este blazer há algumas semanas (ver aqui) mas com a baixa de temperatura desta semana retirei-o do armário. É da Cortefiel e é talvez o meu blazer melhor acabado. O corte original era direito e disforme mas, depois de cintado, ganhou esta forma bem mais elegante.
As mangas também foram subidas para a altura certa. Um blazer bem ajustado revela a mesma largura de tecido na gola e nas mangas da camisa. Vestir bem é acima de tudo uma questão de harmonia e equilíbrio. Assim, as mangas do blazer devem bater 1 cm acima da linha do pulso para revelarem cerca de 2cm da manga da camisa (repare na última foto). Nem sempre se consegue um resultado assim, creio mesmo que este é o meu blazer melhor ajustado. Mas por ser tão raro faz toda a diferença.
Para se conseguir a simetria nas duas mangas dificultada pelo uso do relógio (veja a primeira foto) pode-se sempre adoptar o truque de Giovanni Agnelli de usar o relógio por cima da camisa.
O ajuste da roupa é o aspecto mais impactante num homem bem vestido como escrevi há uns tempos num artigo reproduzido aqui pela betrend.pt. Até um outfit tão sóbrio quanto este fica bem. No fundo, mais vale um fato Zara ajustado do que um Zegna largo. Acho que até a sua futura sogra concordará.
junho 21, 2012
Visita aos Picos de Europa
A menor frequência de postagens na semana anterior teve uma razão bem simpática. Dediquei uns dias a fazer uma das actividades de lazer que mais gosto - hiking em montanha. Infelizmente não o faço tantas vezes quanto gostaria e o principal motivo é não existir no nosso pequeno país muitos palcos para estas actividades.
Nuestro hermanos têm mais sorte no tamanho e na geografia do seu cantinho. A 9 horas de carro de Lisboa ficam os Picos de Europa, um recreio de actividades de ar livre. É constituído por três maciços montanhosos caracterizados por picos rochosos imponentes e desfiladeiros bem cavados e abruptos.
Já lá tinha ido de moto mas, talvez pela atenção que dispensei às torcidas e deliciosas estradas que os atravessam, não fiquei com a noção exacta da grandiosidade do parque. Mas, definitivamente, valem a visita.
Também imperdível é a visita aos lagos junto a Covadonga, Enol e Ercina. Os dois são bastante fotogénicos e dão início a vários caminhos que apetece explorar. Na verdade, com dias disponíveis é possível atravessar todo o parque a pé. Existem inúmeros trilhos muito bem marcados.
Acho irónico o nome do parque - Picos de Europa - quando não são sequer os mais altos de Espanha quanto mais da Europa. Mas estão suficientemente perto para um fim de semana alargado e são muito bonitos.
Nuestro hermanos têm mais sorte no tamanho e na geografia do seu cantinho. A 9 horas de carro de Lisboa ficam os Picos de Europa, um recreio de actividades de ar livre. É constituído por três maciços montanhosos caracterizados por picos rochosos imponentes e desfiladeiros bem cavados e abruptos.
Já lá tinha ido de moto mas, talvez pela atenção que dispensei às torcidas e deliciosas estradas que os atravessam, não fiquei com a noção exacta da grandiosidade do parque. Mas, definitivamente, valem a visita.
| Ruta del Cares |
Menos exigente fisicamente mas não menos impressionante visualmente é a Ruta del Cares, um caminho de quase 12km aberto nas rochas há quase 100 anos. É o trilho mais conhecido do parque e percorre o desfiladeiro do ribeiro com o mesmo nome.
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| Lago Enol |
Acho irónico o nome do parque - Picos de Europa - quando não são sequer os mais altos de Espanha quanto mais da Europa. Mas estão suficientemente perto para um fim de semana alargado e são muito bonitos.
junho 17, 2012
A camisa com gola chinesa
Nunca tinha pensado na gola chinesa em camisas até me oferecerem esta há cerca de dois anos. Rapidamente se tornou numa das minhas camisas de verão favoritas. Não pela gola mas pelo tecido de que é feita. Mas já vamos ao tecido.
Creio que o grupo espanhol Inditex é o único, entre as marcas mais populares, que aposta verdadeiramente neste género de camisa. Todos os anos apresenta vários modelos, com as assinaturas Zara e Massimo Dutti. Na minha opinião esta gola não tem mais estilo do que as tradicionais e até retira versatilidade à camisa. Com ela uma camisa torna-se um híbrido de formalidade intermédia entre uma camisa tradicional e uma t-shirt. Creio que se justifica ter um ou duas apenas para adicionar variedade ao guarda-roupa.
Como quase todas as minhas camisas informais de verão, esta está menos cintada do que habitual. Assim é mais respirável e fresca e, caso me apeteça usar por fora, cria uma silhueta mais descontraída.
Aquilo que realmente gosto nela é o linho com micro-riscas azul escuro/branco. Quanto a mim é um das combinações mais bonitas para uma camisa de verão. E uma alternativa à camisa azul claro lisa, à semelhança daquilo que o blazer vichy é para o azul escuro liso. Prova de que gosto do resultado do linho riscado é ter outra camisa com o mesmo padrão mas num azul mais claro.
O outfit é integralmente Inditex. O cinto Zara é reversível, hoje usado do lado pele, aqui mostrado do lado camurça. A camisa, os sapatos (já vistos aqui), as calças e até o relógio são da Massimo Dutti.
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