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junho 24, 2012

Pitti Uomo 82, concentrado de estilo

Decorreu na semana passada em Florença (Itália), entre os dias dias 19 e 22 de Junho, a Pitti Uomo 82. Ficam algumas das fotos que mais me chamaram a atenção.





junho 23, 2012

A influência global de Nick Wooster

Eu sei que você andava a contar os dias até eu publicar um post sobre o Nick Wooster. Nos dias que correm não existe blogue de estilo masculino que não o mencione ou não o tenha referenciado como um semi-Deus. Este americano baixo e com ar de rúfia é seguramente o homem mais influente da blogosfera de estilo. E nos dias de hoje isso quer dizer do estilo de forma global. O uso da palavra estilo em vez de moda não é inocente. Não tenho particular interesse por moda mas desenvolverei o tema noutro post. Voltando a este creio que uma tendência que se acentua cada vez mais é o estilo ser ditado na net o que acho de salutar. É a democratização e a humanização do gosto. O Nick Wooster é o rei deste fenómeno e merecidamente.




Pessoalmente divido claramente o estilo do Nick Wooster em duas zonas, abaixo e acima da cintura. Na zona inferior acho-o mediano, na superior magistral. Acho que ele usa as calças demasiado curtas e largas que lhe acentuam a sua baixa estatura. Às vezes opta por aquelas calças com caveirinhas ou tubarões que sinceramente não consigo achar piada nenhuma. Quanto aos sapatos gosta deles bojudos e pouco delicados e tem predilecção por Longwings que é um género de que não gosto.


Já acima do cinto existem poucas fotos em que não esteja perfeito. Nessa zona é para mim o homem mais bem vestido do mundo. Começa pela irresistível conjugação de tecidos clássicos (tweed e herringbone) com cortes slim. As cores são normalmente sóbrias, clássicas e sem brilho. Azuis e rosas pálidos nas camisas. Cinzas, azuis escuros e castanhos nos casacos e gravatas. O homem tem swag. Não veste aquelas roupas flashy e assexuadas que vemos nos desfiles de moda. Tem estilo. É masculino. Veste-se à homem.




Daquilo que o caracteriza (já mencionei as calças curtas ou os brogue longwing) destaco as três que mais lhe admiro:


1. O padrão camuflado que ele sabe integrar e conjugar como ninguém (ver primeira foto).


2. O pendant casaco/gravata que acho genial (ver primeira e segunda foto).


3. O pendant camisa gravata de que gosto moderadamente (ver última foto).




Infelizmente não basta apenas o gosto e a visão. É preciso alfaiataria para vestir assim. Ou não! Se calhar talvez venham a haver boas novidades em breve. Alguém reparou na farda dos rapazes da Zara este ano? Andavam de camisa e gravata vichy azuis iguais, numa nítida inspiração Wooster. Não somos só nós que percorremos  a blogosfera. Os designers da marca espanhola também. Aliás, não é por mero acaso que é a marca de roupa mais vendida no mundo. 


Da primeira vez que vi perguntei a um deles se existia para venda sabendo que era só para o staff. Mas desconfio que a marca o tenha feito para sondar viabilidade comercial e não custa deixar opinião. Não vou apostar mas desconfio que na próxima época a Zara terá alguns conjuntos camisa/gravata vichy. Quanto a mim tenho mais expectativa de um conjunto blazer/gravata mais upmarket feito pela Massimo Dutti.


Se algum responsável por uma marca portuguesa lê o blogue fica aqui o meu conselho: Aposte em acessórios camuflados e nuns conjuntos camisa/gravata em tons sóbrios. O fenómeno Wooster em breve chegará às ruas.

junho 22, 2012

Sóbrio e ajustado


Desde já aviso, hoje não há nada de novo ou cintilante. Só artigos neutros e já mostrados noutros looks anteriores. Alguns dirão que é monótono, eu chamo-lhe sóbrio. Interprete como a minha sugestão para quem vai pela primeira vez a casa dos futuros sogros. Ou para aqueles dias em que damos tudo para passarmos despercebidos. Não que isso fosse possível assim vestido. Não é vaidade, é a constatação de que 90% dos homens portugueses não se vestiriam assim. Porquê? Por duas razões.


1ª razão: as calças brancas. É quase tabu em Portugal, mas erradamente. O branco dá com tudo. Vista umas calças brancas e é menos uma conjugação para fazer. Que homem não gosta desta simplificação? Estas são as clássicas 501 da Levi's que, para não conhece a numeração da marca, é o seu corte mais clássico. Demasiado clássico para mim que uso as calças mais curtas do que o normal. Na verdade uso-as no comprimento correcto, a maioria dos homens é que as usa compridas demais. As calças devem terminar em cima da pala de um sapato de atacadores. A bainha pode dobrar ligeiramente mas nunca enrugar. As rugas encurtam as pernas e dão um ar descuidado. E a personalização não pode ficar a meio.


Umas calças com o comprimento correcto exigem outra coisa, a correcta largura da perna. O corte da perna das 501 é direito mas o diâmetro da perna masculina é igual na coxa, joelho e tornozelo? Não, não é. A roupa devem seguir o contorno do corpo por isso mandei afunilar a parte inferior das calças. Creio que estas foram reduzidas para 20cm de largura na bainha. Actualmente estabeleci esse valor nos 18cm que me parece ser o valor correcto para a minha fisionomia. Naturalmente não o faço em todas as calças mas de origem este par fazia-me parecer o John Travolta em Saturday night fever. Inadmissível.


Fora o corte das pernas estes jeans são perfeitos. Estive cerca de dez anos sem comprar calças Levi's mas estas são as calças de ganga com mais qualidade que tenho. A ganga tem o grande inconveniente de alargar mas começo a achar que este par não precisará de ser apertado como é costume nas calças de ganga. Para mitigar este problema compro as calças num número que em me fique ligeiramente apertado quando novas. E tento usar as calças umas dez vezes antes da primeira lavagem para elas se formarem ao corpo antes de levarem a tareia da máquina de lavar. Eu  sei, se forem brancas é um desafio usar tantas vezes sem lavar. Existe uma terceira dica, lavar os jeans sempre à mão. Eu passo esta muito obrigado.




2ª razão: o blazer cintado. 90% dos homens usa os blazers um número ou mais acima do correcto. Para quem não recorre a alfaiate, um blazer pronto-a-vestir é essencial que fique bem nos ombros porque é a correcção mais dispendiosa e trabalhoso de se fazer. A costura deve ficar exactamente onde o ombro termina e o braço começa. Se não lhe ficar bem no ombro esqueça, há mais marés que marinheiros. Recomendo que escolha o número mais pequeno com que consiga mexer os braços, mesmo que em certa posições sinta tensão no tecido. Não vai usar o blazer para jogar basquetebol ou trabalhar no campo. A mobilidade dos braços não é prioritária, a silhueta dos ombros sim. 


Já não usava este blazer há algumas semanas (ver aqui) mas com a baixa de temperatura desta semana retirei-o do armário. É da Cortefiel e é talvez o meu blazer melhor acabado. O corte original era direito e disforme mas, depois de cintado, ganhou esta forma bem mais elegante.


As mangas também foram subidas para a altura certa. Um blazer bem ajustado revela a mesma largura de tecido na gola e nas mangas da camisa. Vestir bem é acima de tudo uma questão de harmonia e equilíbrio. Assim, as mangas do blazer devem bater 1 cm acima da linha do pulso para revelarem cerca de 2cm da manga da camisa (repare na última foto). Nem sempre se consegue um resultado assim, creio mesmo que este é o meu blazer melhor ajustado. Mas por ser tão raro faz toda a diferença.


Para se conseguir a simetria nas duas mangas dificultada pelo uso do relógio (veja a primeira foto) pode-se sempre adoptar o truque de Giovanni Agnelli de usar o relógio por cima da camisa.


O ajuste da roupa é o aspecto mais impactante num homem bem vestido como escrevi há uns tempos num artigo reproduzido aqui pela betrend.pt. Até um outfit tão sóbrio quanto este fica bem. No fundo, mais vale um fato Zara ajustado do que um Zegna largo. Acho que até a sua futura sogra concordará.


junho 21, 2012

Visita aos Picos de Europa

A menor frequência de postagens na semana anterior teve uma razão bem simpática. Dediquei uns dias a fazer uma das actividades de lazer que mais gosto - hiking em montanha. Infelizmente não o faço tantas vezes quanto gostaria e o principal motivo é não existir no nosso pequeno país muitos palcos para estas actividades.


Nuestro hermanos têm mais sorte no tamanho e na geografia do seu cantinho. A 9 horas de carro de Lisboa ficam os Picos de Europa, um recreio de actividades de ar livre. É constituído por três maciços montanhosos caracterizados por picos rochosos imponentes e desfiladeiros bem cavados e abruptos.


Já lá tinha ido de moto mas, talvez pela atenção que dispensei às torcidas e deliciosas estradas que os atravessam, não fiquei com a noção exacta da grandiosidade do parque. Mas, definitivamente, valem a visita. 

Museo Guggenheim Bilbao


Antes de avançar para os picos fui dar um salto a Bilbao para remediar algo indesculpável, ainda não conhecer o extraordinário Museo Guggenheim Bilbao. A obra revestida a titânio do arquitecto Frank Gehry colocou a cidade no mapa e está à altura da expectativas. Contudo, mesmo sem o museu, Bilbao vale uma tarde de passeio pela sua zona histórica.
Sendero del Naranjo de Bulnes (Pico Urriellu à esquerda)


A imagem mais dramática dos Picos de Europa tem que ser o Pico Urriellu de 2.519m e foi o trilho escolhido para a estreia no parque. Junho é uma excelente altura para o explorar. O tempo está bom e os trilhos são pouco frequentados.
Ruta del Cares
Menos exigente fisicamente mas não menos impressionante visualmente é a Ruta del Cares, um caminho de quase 12km aberto nas rochas há quase 100 anos. É o trilho mais conhecido do parque e percorre o desfiladeiro do ribeiro com o mesmo nome.

Lago Enol
Também imperdível é a visita aos lagos junto a Covadonga, Enol e Ercina. Os dois são bastante fotogénicos e dão início a vários caminhos que apetece explorar. Na verdade, com dias disponíveis é possível atravessar todo o parque a pé. Existem inúmeros trilhos muito bem marcados.


Acho irónico o nome do parque - Picos de Europa - quando não são sequer os mais altos de Espanha quanto mais da Europa. Mas estão suficientemente perto para um fim de semana alargado e são muito bonitos.

junho 17, 2012

A camisa com gola chinesa



Nunca tinha pensado na gola chinesa em camisas até me oferecerem esta há cerca de dois anos. Rapidamente se tornou numa das minhas camisas de verão favoritas. Não pela gola mas pelo tecido de que é feita. Mas já vamos ao tecido.


Creio que o grupo espanhol Inditex é o único, entre as marcas mais populares, que aposta verdadeiramente neste género de camisa. Todos os anos apresenta vários modelos, com as assinaturas Zara e Massimo Dutti. Na minha opinião esta gola não tem mais estilo do que as tradicionais e até retira versatilidade à camisa. Com ela uma camisa torna-se um híbrido de formalidade intermédia entre uma camisa tradicional e uma t-shirt. Creio que se justifica ter um ou duas apenas para adicionar variedade ao guarda-roupa.


Como quase todas as minhas camisas informais de verão, esta está menos cintada do que habitual. Assim é mais respirável e fresca e, caso me apeteça usar por fora, cria uma silhueta mais descontraída.


Aquilo que realmente gosto nela é o linho com micro-riscas azul escuro/branco. Quanto a mim é um das combinações mais bonitas para uma camisa de verão. E uma alternativa à camisa azul claro lisa, à semelhança daquilo que o blazer vichy é para o azul escuro liso. Prova de que gosto do resultado do linho riscado é ter outra camisa com o mesmo padrão mas num azul mais claro.


O outfit é integralmente Inditex. O cinto Zara é reversível, hoje usado do lado pele, aqui mostrado do lado camurça. A camisa, os sapatos (já vistos aqui), as calças e até o relógio são da Massimo Dutti.




junho 12, 2012

A melhor amiga do pé


Não há como negar, os sapatos slip on em geral e os driving moccasins em particular ficam bem a mostrar parte dos pés. O problema é que andar sem meias gera enorme desconforto, maus odores e deteriora mais rapidamente os sapatos.

Mas há um compromisso entre manutenção de estilo e concessões práticas, os pézinhos ou meias invisíveis, como lhe queiram chamar. Para mim, que não consigo andar sem meias, são indispensáveis.

junho 11, 2012

Essencial XV - Sneakers de lona


Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Existe uma diferença substancial entre os blazers assertoados (double breasted) fruto do renascimento recente e os que estiveram em voga nas décadas de 30, 40 e 50 do século anterior. Ao passo que antigamente eles faziam parte dos fatos mais formais hoje em dia eles aparecem sobretudo como blazers desportivos (sport jackets). A culpa é das grandes marcas italianas Boglioni, Brioni, Lubiam entre outras que decidiram ressuscitá-los em versões desestruturadas, cintadas e feitas em tecidos mais informais do que a tradicional lã. Apesar das mudanças houve algo que o blazer assertoado não perdeu neste hiato de 60 anos, um swag desmesurado. Dada essa característica inertente acho que ele fica muito bem em saídas nocturnas. Por isso aqui fica uma sugestão para uma festa de verão ou um jantar ao ar livre.

O azul turquesa forte não é a cor mais natural para uma t-shirt de verão. Confesso que se fosse para usar isoladamente não a teria comprado mas gosto muito de ver turquesa por baixo de um casaco azul escuro. Comprei esta com um decote em V, assim como o lenço no mesmo tom, para usar com os meus blazers e casacos de ganga azuis. Ambas as peças são da Zara e em algodão. Não são desta estação mas acredito que entre as dezenas de t-shirts que a marca lança anualmente haja algo parecido em 2012. Nas fotos não é perceptível mas as calças são os mesmos chinos caqui destruídos que usei aqui.

Para combinar com a descontracção da t-shirt calcei uns sneakers em lona. O sneaker americano (os ingleses chamam-lhe plimsoll) é um ténis básico com sola de borracha e parte de cima em lona ou pele que serve para ser usado no dia-a-dia e não para fazer desporto. Pessoalmente acho que os sneakers em pele não fazem muito sentido dado que é um calçado eminentemente de verão, por isso prefiro-os em lona. Também não os aprecio bojudos, com uma sola muito alta ou a biqueira revestida a borracha. Viro-me para os mais discretos e delicados.

Como não encontro justificação para dar um valor avultado por um artigo tão básico optei por estes H&M que, além da simplicidade que me agrada, custam apenas €15. Isso significa que pelo preço de ténis com muito menos pinta posso ter um par de cada cor (só tenho este!). Também é o preço de umas alpercatas e deixo ao critério do leitor ajuizar qual das alternativas tem mais estilo.

Tratando-se de um essencial aconselho cores neutras como o branco, azul claro ou cinza claro. Ou, em alternativa, um tom pastel suave de verde, amarelo ou rosa. Algo que conjugue facilmente com as suas bermudas e calças de verão.