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junho 12, 2012

A melhor amiga do pé


Não há como negar, os sapatos slip on em geral e os driving moccasins em particular ficam bem a mostrar parte dos pés. O problema é que andar sem meias gera enorme desconforto, maus odores e deteriora mais rapidamente os sapatos.

Mas há um compromisso entre manutenção de estilo e concessões práticas, os pézinhos ou meias invisíveis, como lhe queiram chamar. Para mim, que não consigo andar sem meias, são indispensáveis.

junho 11, 2012

Essencial XV - Sneakers de lona


Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Existe uma diferença substancial entre os blazers assertoados (double breasted) fruto do renascimento recente e os que estiveram em voga nas décadas de 30, 40 e 50 do século anterior. Ao passo que antigamente eles faziam parte dos fatos mais formais hoje em dia eles aparecem sobretudo como blazers desportivos (sport jackets). A culpa é das grandes marcas italianas Boglioni, Brioni, Lubiam entre outras que decidiram ressuscitá-los em versões desestruturadas, cintadas e feitas em tecidos mais informais do que a tradicional lã. Apesar das mudanças houve algo que o blazer assertoado não perdeu neste hiato de 60 anos, um swag desmesurado. Dada essa característica inertente acho que ele fica muito bem em saídas nocturnas. Por isso aqui fica uma sugestão para uma festa de verão ou um jantar ao ar livre.

O azul turquesa forte não é a cor mais natural para uma t-shirt de verão. Confesso que se fosse para usar isoladamente não a teria comprado mas gosto muito de ver turquesa por baixo de um casaco azul escuro. Comprei esta com um decote em V, assim como o lenço no mesmo tom, para usar com os meus blazers e casacos de ganga azuis. Ambas as peças são da Zara e em algodão. Não são desta estação mas acredito que entre as dezenas de t-shirts que a marca lança anualmente haja algo parecido em 2012. Nas fotos não é perceptível mas as calças são os mesmos chinos caqui destruídos que usei aqui.

Para combinar com a descontracção da t-shirt calcei uns sneakers em lona. O sneaker americano (os ingleses chamam-lhe plimsoll) é um ténis básico com sola de borracha e parte de cima em lona ou pele que serve para ser usado no dia-a-dia e não para fazer desporto. Pessoalmente acho que os sneakers em pele não fazem muito sentido dado que é um calçado eminentemente de verão, por isso prefiro-os em lona. Também não os aprecio bojudos, com uma sola muito alta ou a biqueira revestida a borracha. Viro-me para os mais discretos e delicados.

Como não encontro justificação para dar um valor avultado por um artigo tão básico optei por estes H&M que, além da simplicidade que me agrada, custam apenas €15. Isso significa que pelo preço de ténis com muito menos pinta posso ter um par de cada cor (só tenho este!). Também é o preço de umas alpercatas e deixo ao critério do leitor ajuizar qual das alternativas tem mais estilo.

Tratando-se de um essencial aconselho cores neutras como o branco, azul claro ou cinza claro. Ou, em alternativa, um tom pastel suave de verde, amarelo ou rosa. Algo que conjugue facilmente com as suas bermudas e calças de verão.

junho 10, 2012

Oxblood do pescoço aos pés

Não é difícil um homem andar bem vestido. Basta escolher peças neutras e seguir algumas regras. Tudo se complica quando se sai do testado e provado. Para isso é requerida uma capacidade de integração de todas as peças de um conjunto que, sejamos sinceros, não é um forte masculino.

Aqui está um bom exemplo de como o fazer. A camisa branca, o casaco amarelo e as calças pretas são um trio relativamente trivial e seguro. Mas completar este look com gravata, cinto e sapatos oxblood revela coragem e sabedoria. O resultado final está estupendo.


junho 07, 2012

Harmonizar com detalhes


O conjunto formado por uma camisa branca, umas calças de ganga azul claro e uns sapatos de camurça castanha é tão previsível quanto uma conferência de imprensa de um treinador de futebol. Não devia ter colocado aqui poder-se-à pensar. Mas, com duas conjugações, acho que o consegui tornar merecedor do destaque.

A primeira salta à vista. o pendant entre o cinto e os sapatos é algo que muitos desvalorizam por estar fora de moda mas eu acho que não existe nada de errado nessa harmonia. Não é necessário o casamento perfeito, até porque é quase impossível de se obter. Mas conseguir combinar cinto e sapatos, não só em cor, mas também no material, consubstancia um look tão elementar.

A segunda é ir buscar o branco da camisa e o azul das calças e riscar as meias com essas duas cores. É um efeito surpresa quando nos sentamos ou caminhamos que, novamente, marca um outfit tão neutro.

junho 06, 2012

Dois pés de galo

Ontem, depois do jantar, fui dar uma volta e ver as novidades nas montras. Na sequência deste look e com a ideia de escrever o post de hoje levava a nota mental de olhar para dois blazers pé de galo azuis, um da Zara e outro da Massimo Dutti. Ambos têm os tipos de bolso mais clássicos e por isso a melhor aposta para a longevidade. Ambos figuraram nos últimos lookbooks das respectivas marcas.


Zara - lookbook junho
Os blazers desportivos (ou sport jackets) não são o forte da Zara. Estes situam-se entre os €50 e os €100 e creio que não existem milagres. Os tecidos e botões de muitos desiludem, as costuras são por vezes grosseiras e a maioria são demasiado curtos, mais próprios para adolescentes. No entanto, este pé de galo não defrauda expectativas. Custa €80 o que faz dele um blazer luxuoso na gama Zara. É num azul celeste muito luminoso. À distância de 5 metros é bonito e mesmo a 50cm, quando muitos blazers da Zara perdem a piada, continua agradável. É feito num tecido linho/algodão que é aquele bom compromisso entre o estilo do linho e a funcionalidade do algodão. Os botões (felizmente sem a marca gravada) também são agradáveis à vista. Não é forrado como os blazers de verão devem ser.

Tive curiosidade de experimentar e vesti um 48 que é o meu número habitual. Os ombros, que são o ponto nevrálgico num casaco, não assentaram na perfeição. Mas todos os corpos são diferentes pelo que pode ficar bem a si. O comprimento é o adequado. De resto ficava-me muito bem. O corte já é cintado e as mangas tinham o comprimento correcto. Para mim precisaria de pouco arranjo.


Massimo Dutti - lookbook maio
Por mais €100, €180 no total, o blazer da Massimo Dutti tem um ar mais sério a começar pela cor que é azul marinho. O tom é mais neutro logo mais versátil. À semelhança do Zara aqui o tecido também é parte linho parte algodão o que lhe dá um estilo muito moderno. O detalhe da linha laranja da primeira casa de botão das mangas é giro, já a gravação da marca nos botões dispensava-se. Não o cheguei a vestir mas na Massimo Dutti os arranjos são feitos sem custos.

A maior diferença entre os dois reside mesmo na cor que lhes dá personalidades distintas. Eles não diferem o suficiente do meu para arranjar espaço no meu armário mas, caso não o tivesse, era capaz de apostar num dos dois.

junho 05, 2012

A moto BMW esquecida

Os ingleses têm o ditado certeiro you can separate the men from the boys by the size of their toys. E poucos objectos encarnam melhor esta ideia de brinquedo de homem do que as motos. Ontem cruzei-me com uma moto que cai certinha neste clube dos brinquedos masculinos. Foi uma visão tão improvável quanto agradável. Por mim passou uma BMW R1200S amarela, a moto alemã de que ninguém se lembra, apesar de ter sido lançada há menos de dez anos.


Hoje em dia a marca bávara quer agradar aos clientes das motos japonesas dando-lhes aquilo que eles conhecem, mas se recuarmos meia dúzia de anos a BMW pouco queria saber de mercado, fazia as motos que bem lhe apetecia. E a moto mais desportiva que produzia era a R1200S, sendo o S alusivo a sport. Destinada a substituir a bem sucedida R1100S em 2006, era a máquina mais desportiva da gama alemã. Só que à medida do mercado era uma sport-tourer, pelo que quase ninguém a compreendeu. No ano anterior a BMW tinha lançado a R1200ST, a horrível sport-tourer da família R, pelo que orientou a R1200S num sentido mais radical, para desgosto dos fiéis da marca, os únicos que considerariam comprá-la. Assim, para substituir a lindíssima R1100S (na minha opinião a moto mais bonita que a BMW já fez), a marca apostou em dois rotundos fracassos comerciais. A fealdade da R1200ST era tal que nada a podia salvar e a R1200S, desconfortável demais para viajar e incapaz de competir em performances com as verdadeiras desportivas, encontrou-se em terra de ninguém.

Seis anos volvidos e a R1200S começa a fazer muito mais sentido. 98% dos motociclistas nunca a irão compreender e ela permanecerá sempre uma moto para conhecedores. Isso só lhe dá mais charme. Mas a R1200S é uma excelente moto per se.

Pese embora a menor versatilidade face à R1100S, a 1200 é uma moto muito superior tecnicamente. A potência passou de uns anémicos 98cv para uns pujantes 122cv e a caixa de velocidades e suspensão eram muito mais evoluídas. Bastaria a BMW ter refeito ligeiramente a traseira da moto para aceitar um banco confortável para dois e a opção de malas grandes para a R1200S ser uma real alternativa à 1100. Mas na altura a BMW já andava a planear a futura superdesportiva – S1000RR – e nem se deu ao trabalho. A R1200S durou apenas dois anos no catálogo da marca. E durante esse período vendeu muito pouco.


O futuro da família R da BMW assentará num motor boxer arrefecido a água. A R1200S restará como a BMW série R air cooled de produção em série mais desportiva e rápida de sempre. O título absoluto está nas mãos da R1200 HP2 Sport, uma evolução da R1200S de produção limitada, mais exótica e muito mais cara.

Enquanto nova o posicionamento comercial ambíguo da R1200S foi-lhe fatal. Mas para uma segunda vida nas mãos de um coleccionador que quer uma moto carismática para dar umas voltas ocasionais de fim de semana ela revela-se perfeita. Com uma linhagem antiga e nobre, forte personalidade e produção escassa não tenho dúvidas que o mundo ainda lhe dará o reconhecimento devido. Nessa altura quem a tiver na garagem não terá apenas um brinquedo, terá feito um bom investimento de longo prazo.

junho 04, 2012

Sapatos fora da palete de conforto

Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Em relação à semana passada o look de hoje é mais requintado mas sem deixar de ser desportivo. Salta imediatamente à vista o vermelho dos sapatos. Para que eles não pareçam aterrados ali vindos do nada coloquei esta gravata xadrez. O vermelho da gravata é como o bilhete de entrada para os sapatos, enquadra-os no conjunto clássico. Porque o vermelho sai fora da zona de conforto cromática mantive tudo o resto o mais neutro possível. Uns chinos beges e uma camisa azul clara são tão neutros quanto se possa querer.


Nas fotos não dá para ver mas o algodão da camisa tem um efeito espinha que, quem me segue, saberá que gosto muito de ver ver em roupa, seja casacos, camisas ou mesmo gravatas. O tecido espinha tem dupla personalidade, é delicado e rufia ao mesmo tempo. É como aqueles vilões que distribuem charme na festa e depois se esgueiram até escritório da casa para roubar as jóias do cofre, não hesitando em matar à queima-roupa quem se atravessar no seu caminho.


Hoje vou escrever um pouco mais sobre o blazer. Talvez mais do que nos blazers de uma fila de botões, o tailoring de um blazer assertoado é essencial para não parecer, literalmente, um saco enfiado pela cabeça. Seria incapaz de vestir este tal como o comprei. Das costas foi retirado tecido que dava para fazer outra lapela. E quando olho para as fotos não deixo de notar que se as mangas fosse apertadas do cotovelo ao punho ele ainda ficaria melhor.

Existe uma opinião largamente difundida de que os blazers assertoados não são apropriados para homens mais volumosos de barriga. Mas essa percepção desafia a lógica ou então, mantendo o imaginário cinematográfico, sou eu que estou sugestionado por filmes de gangsters na período da lei seca americana. Naturalmente que um blazer largo, seja assertoado ou não, não favorece um barriga grande. Mas desde que devidamente ajustado, as duas linhas de botões acentuam a verticalidade do corpo e distraem do volume da cintura o que melhora a aparência de um homem com mais cintura. 

Já os homens baixos não beneficiarão tanto dos blazer assertoados. À semelhança dos antigos blazer de três botões, o seu V está, invevitavelmente, mais subido do que num blazer de dois botões. Por essa razão um homem mais baixo tenderá a ficar como uma figura desproporcionada e ridicularizada se vestido com um.

Poder-se-à questionar a sensatez de adquirir um blazer assertoado navy quando já se tem um de dois botões nesta cor. Por enquanto, pois acredito que venham a ficar mais populares nas próximas épocas, compram-se os blazers assertoados que aparecem e não aqueles que se quer. Não obstante esta evidência, considero que os dois são suficientemente diferentes para poderem coexistir num armário. E depois podem ser sempre diferenciados pelo tecido de que são feitos, cor dos botões, etc.