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junho 05, 2012

A moto BMW esquecida

Os ingleses têm o ditado certeiro you can separate the men from the boys by the size of their toys. E poucos objectos encarnam melhor esta ideia de brinquedo de homem do que as motos. Ontem cruzei-me com uma moto que cai certinha neste clube dos brinquedos masculinos. Foi uma visão tão improvável quanto agradável. Por mim passou uma BMW R1200S amarela, a moto alemã de que ninguém se lembra, apesar de ter sido lançada há menos de dez anos.


Hoje em dia a marca bávara quer agradar aos clientes das motos japonesas dando-lhes aquilo que eles conhecem, mas se recuarmos meia dúzia de anos a BMW pouco queria saber de mercado, fazia as motos que bem lhe apetecia. E a moto mais desportiva que produzia era a R1200S, sendo o S alusivo a sport. Destinada a substituir a bem sucedida R1100S em 2006, era a máquina mais desportiva da gama alemã. Só que à medida do mercado era uma sport-tourer, pelo que quase ninguém a compreendeu. No ano anterior a BMW tinha lançado a R1200ST, a horrível sport-tourer da família R, pelo que orientou a R1200S num sentido mais radical, para desgosto dos fiéis da marca, os únicos que considerariam comprá-la. Assim, para substituir a lindíssima R1100S (na minha opinião a moto mais bonita que a BMW já fez), a marca apostou em dois rotundos fracassos comerciais. A fealdade da R1200ST era tal que nada a podia salvar e a R1200S, desconfortável demais para viajar e incapaz de competir em performances com as verdadeiras desportivas, encontrou-se em terra de ninguém.

Seis anos volvidos e a R1200S começa a fazer muito mais sentido. 98% dos motociclistas nunca a irão compreender e ela permanecerá sempre uma moto para conhecedores. Isso só lhe dá mais charme. Mas a R1200S é uma excelente moto per se.

Pese embora a menor versatilidade face à R1100S, a 1200 é uma moto muito superior tecnicamente. A potência passou de uns anémicos 98cv para uns pujantes 122cv e a caixa de velocidades e suspensão eram muito mais evoluídas. Bastaria a BMW ter refeito ligeiramente a traseira da moto para aceitar um banco confortável para dois e a opção de malas grandes para a R1200S ser uma real alternativa à 1100. Mas na altura a BMW já andava a planear a futura superdesportiva – S1000RR – e nem se deu ao trabalho. A R1200S durou apenas dois anos no catálogo da marca. E durante esse período vendeu muito pouco.


O futuro da família R da BMW assentará num motor boxer arrefecido a água. A R1200S restará como a BMW série R air cooled de produção em série mais desportiva e rápida de sempre. O título absoluto está nas mãos da R1200 HP2 Sport, uma evolução da R1200S de produção limitada, mais exótica e muito mais cara.

Enquanto nova o posicionamento comercial ambíguo da R1200S foi-lhe fatal. Mas para uma segunda vida nas mãos de um coleccionador que quer uma moto carismática para dar umas voltas ocasionais de fim de semana ela revela-se perfeita. Com uma linhagem antiga e nobre, forte personalidade e produção escassa não tenho dúvidas que o mundo ainda lhe dará o reconhecimento devido. Nessa altura quem a tiver na garagem não terá apenas um brinquedo, terá feito um bom investimento de longo prazo.

junho 04, 2012

Sapatos fora da palete de conforto

Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Em relação à semana passada o look de hoje é mais requintado mas sem deixar de ser desportivo. Salta imediatamente à vista o vermelho dos sapatos. Para que eles não pareçam aterrados ali vindos do nada coloquei esta gravata xadrez. O vermelho da gravata é como o bilhete de entrada para os sapatos, enquadra-os no conjunto clássico. Porque o vermelho sai fora da zona de conforto cromática mantive tudo o resto o mais neutro possível. Uns chinos beges e uma camisa azul clara são tão neutros quanto se possa querer.


Nas fotos não dá para ver mas o algodão da camisa tem um efeito espinha que, quem me segue, saberá que gosto muito de ver ver em roupa, seja casacos, camisas ou mesmo gravatas. O tecido espinha tem dupla personalidade, é delicado e rufia ao mesmo tempo. É como aqueles vilões que distribuem charme na festa e depois se esgueiram até escritório da casa para roubar as jóias do cofre, não hesitando em matar à queima-roupa quem se atravessar no seu caminho.


Hoje vou escrever um pouco mais sobre o blazer. Talvez mais do que nos blazers de uma fila de botões, o tailoring de um blazer assertoado é essencial para não parecer, literalmente, um saco enfiado pela cabeça. Seria incapaz de vestir este tal como o comprei. Das costas foi retirado tecido que dava para fazer outra lapela. E quando olho para as fotos não deixo de notar que se as mangas fosse apertadas do cotovelo ao punho ele ainda ficaria melhor.

Existe uma opinião largamente difundida de que os blazers assertoados não são apropriados para homens mais volumosos de barriga. Mas essa percepção desafia a lógica ou então, mantendo o imaginário cinematográfico, sou eu que estou sugestionado por filmes de gangsters na período da lei seca americana. Naturalmente que um blazer largo, seja assertoado ou não, não favorece um barriga grande. Mas desde que devidamente ajustado, as duas linhas de botões acentuam a verticalidade do corpo e distraem do volume da cintura o que melhora a aparência de um homem com mais cintura. 

Já os homens baixos não beneficiarão tanto dos blazer assertoados. À semelhança dos antigos blazer de três botões, o seu V está, invevitavelmente, mais subido do que num blazer de dois botões. Por essa razão um homem mais baixo tenderá a ficar como uma figura desproporcionada e ridicularizada se vestido com um.

Poder-se-à questionar a sensatez de adquirir um blazer assertoado navy quando já se tem um de dois botões nesta cor. Por enquanto, pois acredito que venham a ficar mais populares nas próximas épocas, compram-se os blazers assertoados que aparecem e não aqueles que se quer. Não obstante esta evidência, considero que os dois são suficientemente diferentes para poderem coexistir num armário. E depois podem ser sempre diferenciados pelo tecido de que são feitos, cor dos botões, etc. 



junho 01, 2012

Pilha de écharpes

A cinza será a écharpe básica mas nada nos inibe de ficar por aí. Da loja de Estocolmo Rose & Borne, que já tinha referido aqui, deixo-vos esta pilha para mostrar que há muito para nos aliviar a carteira.  

maio 31, 2012

O caso da camisa xadrez


Uma das peças de roupa mais arriscada de adquirir é a camisa com padrão xadrez. É um risco porque nunca sabemos quanto tempo vamos gostar dela, se seis anos se seis meses. E sou da opinião que se fizermos uma compra a que não damos uso pelo menos quatro temporadas foi uma má adição. Nunca compro uma camisa xadrez a primeira vez que a vejo. Deixo a ideia amadurecer na minha cabeça. As compras de impulso são sempre más. Em camisas xadrez podem ser desastrosas. Não tenho muitas, mostrei uma de inverno e agora mostro esta. Um guarda-roupa masculino precisa de pelo menos uma camisa axadrezada.

Um dos truques mais elementares para escolher as calças para usar com uma camisa xadrez é conjugar a sua cor com um dos tons da camisa. Aqui a tarefa está simplificada porque esta camisa tem várias cores (areia, laranja, verde, azul), todas em tons neutros. As calças são umas Dockers num algodão muito fino (talvez o par mais fresco que tenho) e num tom areia quase branco. Creio que estão à beira dos 10 anos mas com uma actualização recente acho que duram outros tantos.

Os mocassins foram um achado de fim de saldos. Acho que eles só estavam ainda disponíveis porque muitos pensaram como eu: o verde é giro mas com a sola e atacador em turquesa não. A verdade é que o turquesa diminui em 50% a versatilidade deste par. Mas 50% da versatilidade por 50% do preço soou-me suficientemente bem.

Ironicamente aqui usei os sapatos devido e não apesar da cor turquesa. Como as calças combinam com a camisa e os sapatos combinam com o cinto e a camisa, ainda por cima tudo em tons neutros, o conjunto ia resultar demasiado certinho e triste. Acho que os sapatos introduzem uma quebra bem-vinda.

Quando tirei estas fotos estavam mais de 30ºC. Se estivesse mais fresco completaria com um casaco castanho ou azul marinho, talvez este cardigan

maio 30, 2012

De violeta e roxo

Dificilmente uso roupa violeta ou roxa. E acho que não são cores que façam muito pelo visual masculino. Mesmo nelas acho que devem ser usadas com moderação. O que não quer dizer que não haja excepções à regra, como aqui

maio 29, 2012

Loro Piana encantadora

A casa italiana Loro Piana não tem apenas das colecções de roupa de homem mais apaixonantes que conheço. Tem também o melhor site que já vi. Navegar nele é um prazer que recomendo.

maio 28, 2012

Essencial XIV - Mocassins camel

Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Este é o primeiro de cinco looks que vou publicar nas próximas segundas-feiras e que terão em comum este blazer Purificación Garcia assertoado em algodão navy. Os blazers assertoados estão a voltar e com toda a oportunidade pois têm o condão de ser ainda mais elegantes do que a versão de uma única linha de botões. Infelizmente esta herança militar caiu em desuso quando os homens se começaram a vestir de forma (demasiadamente) informal. Mas sobre blazers assertoados em geral, e neste em particular, dedicarei os próximos posts deste tema. Este vou dedicar a um essencial de verão, um par de driving moccasins.

No verão um homem precisa de sapatos de verão, isto é, sapatos frescos e de cores mais claras. Creio que é impossível encontrar mais fresco do que uns moccasins sem comprometer o estilo. Sou um entusiasta do género e até recomendo ter mais do que um par. Uma alternativa que ganha em racionalidade mas que, para mim perde em pinta, são os populares sapatos vela. A outra é este cruzamento entre moccasin e sapato vela que resultou muito bem.

O mais racional será ter um par castanho mas mostre alguma bravura cromática e não compre o seu décimo par de vela Rockport castanho escuro com sola preta. Ainda que estejamos a falar de uns essenciais sugiro a cor camel, se forem vela, com a sola branca.

Ninguém me paga para escrever isto mas, se não venero os sapatos formais da Massimo Dutti, no que toca a calçado desportivo acho que eles acertam em cheio. Não conheço driving moccasins mais bonitos do que os da marca espanhola e estou a incluir os luxuosos Tod's ou Car Shoe. A colecção deste ano é particularmente apelativa. Nestes camel colocaram uma sola azul, um toque soberbo, que faz deles os companheiros ideais para uns jeans azuis. Não é o caso aqui, são jeans mas são brancos.

Em Portugal não é comum os homens arriscarem a cor branca para cobrir as pernas mas só temos a ganhar em fazê-lo, dá com tudo e tem estilo. Com um blazer double breasted marinho com botões brancos torna-se uma escolha óbvia.

O look de hoje é despojado de acessórios. Costumo ser fiel à regra de dois, no máximo três, itens não neutros por outfit. Sapatos camel não são neutros, o fúcsia da camisa também não é neutro. Em Portugal, calças brancas e até blazers assertoados, independentemente da cor, não são neutros. Não achei que houvesse espaço para acessórios.