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abril 13, 2012

Classic with a twist

Nada do que vesti hoje é novidade para quem tem acompanhado o blog.  Até já era altura de ter guardado boa parte destas roupas até ao próximo outono mas o frio revisitou-nos. Globalmente, este era um conjunto perfeitamente possível há cem anos, mas graças a um ajuste slim e a um lenço de bolso vichy está perfeitamente actual. É a tal receita classic with a twist que me cativa.

Vou começar, como é hábito, pelo blazer que tem um contraste interessante entre o tecido clássico e o look desportivo. Ele é feito num tweed com efeito espinha ou herringbone que é um das formas de contrução de tecidos que mais gosto em blazers. Por outro lado, os ombros naturais e os dois bolsos de chapa modernizam-no e, acima de tudo, dão-lhe um ar descontraído. O único arranjo que precisou foi na cintura mas é um dos meus blazers mais confortáveis e quentes.

A denim shirt de corte tradicional é uma das minhas camisas favoritas e, quanto a mim, um item obrigatório para homens que queiram apostar no estilo business casual. As calças de corte clássico em bombazina verde contrastam com o blazer e a camisa de uma forma subtil. Como o blazer, a camisa e as calças são peças neutras que criam a base e realçam os dois itens não neutros: o cinto camel e o lenço de bolso vichy azul. O padrão vichy (quadrados pequenos com base branca) é um dos padrões de cor mais versáteis para camisas ou lenços de bolso. Irei voltar a este tema em posts futuros.

As duas peças pequenas não neutras respeitam a minha regra sobre este tema que expliquei aqui. Na minha opinião, o look cuidado e equilibrado não deve ser uma amalgama de peças mas um todo coerente. E essa coerência não se consegue sem peças âncora neutras.

Mas realmente fundamental é mesmo o ajuste (tailoring) da roupa como discuti aqui. O blazer foi cintado, assim como a camisa. As bainhas das calças foram subidas e as pernas estreitadas (tapered). Sem estes cuidados este look ficar-me-ia pesado e antiquado.
 
Blazer tweed herringbone - Decenio
Lenço de bolso algodão - Zara; Camisa ganga - Massimo Dutti
Calças bombazina e cinto entrelaçado - Massimo Dutti

abril 09, 2012

Blazer navy de verão


Em 1997 a Mercedes-Benz popularizou o descapotável com capota metálica ao lançar a primeira geração do SLK. Volvidos quinze anos quase todas as marcas generalistas têm uma versão coupe-cabrio (a forma como estes descapotáveis são mais conhecidos) dos seus modelos mais populares. É fácil entender porquê, apesar de ceder à capota de lona na beleza, a capota rígida é mais segura, prática e faz um habitáculo mais confortável.

O mesmo se passa no tecido que mais identificamos com o verão, o linho. O linho é fresco e respirável e por isso ideal em dias quentes. Eu gosto muito da textura do linho que dá às roupas com ele feito um aspecto simultaneamente casual e sofisticado. Mas o linho tem um grande defeito, enruga-se facilmente. Numa camisa que é usada um dia e depois vai para a máquina da roupa não será problemático mas já o é em blazers, calças ou fatos que não podem ser lavados depois de cada utilização.

Alternativa mais prática, ou a capota metálica, uma mistura linho-algodão que é a solução de muitos blazers e fatos de verão. Outra alternativa é usar um tecido em linho numa microestrutura como este blazer Massimo Dutti (se escrevi alguma asneira sobre tecidos reconheço a minha ignorância e agradeço correcção). Ainda não o vesti muitas vezes mas posso dizer que ele se enruga mais do que um típico blazer 50% algodão/50% linho. Pouco importa, gosto muito do efeito deste tecido.

O blazer navy é o casaco mais fundamental no guarda-roupa de um homem. Como é muito difícil arranjar um suficientemente quente para o rigor de inverno e arejado o bastante para o pico de verão acho que é muito complicado não possuir pelo menos dois. Este Massimo Dutti é quase a minha interpretação do sport jacket navy de verão perfeito. Como afirmei em cima gosto da textura do tecido microestruturado. Mas também gosto do aspecto desportivo dos bolsos de chapa e dos botões beges. E como não tem forro é leve e fresco. A única coisa que mudaria seria desestruturar os ombros demasiado rígidos para um casaco que de resto fica no extremo mais desportivo da escala dos blazers. Era simpático, principalmente num blazer de verão, que os botões das mangas fossem funcionais mas não vou ser picuinhas. Ainda conto que com o uso o blazer perca alguma rigidez e se molde ao meu corpo ganhando um aspecto mais natural.

Os chinos também são da Massimo Dutti e creio que a dupla só não fará parte de um futuro lookbook da marca porque estas calças apareceram no de Fevereiro. A Massimo Dutti também é responsável pelo cinto e pelos sapatos.

Desde esta altura que me tenho deixado convencer pelas meias às riscas e os moccasins, por serem mais abertos, são os sapatos ideais para as mostrar.

Blazer linho e calças chino - Massimo Dutti
Sapatos - Massimo Dutti; Meias - Zara
Camisa algodão - Mike Davis; Lenço de bolso algodão - Zara
Cinto pele - Massimo Dutti

abril 08, 2012

O look descontraído da ganga

Ainda que o casaco mais versátil e elegante que um homem pode ter seja o blazer existem ocasiões em que apetece e se deve vestir algo mais descontraído. A escolha mais óbvia para a diversificação de um guarda-roupa masculino é o blusão em pele. Outra possível é o casaco de ganga. Actualmente não tenho nenhum blusão de cabedal mas já pensei em adicionar um segundo de ganga ao meu guarda-roupa. Há quatro razões para isso acontecer:
  1. Os blusões de cabedal são caros. Quase de certeza a peça mais cara do guarda-roupa de um homem. E bastante mais caro do que um casaco de ganga. E não vale a pena comprar algo de qualidade inferior pois o mais provável é não se vir a dar-lhe uso.
  2. Enquanto a pele se torna insuportável em dias quentes, o casaco de ganga pode ser usado todo o ano, como camada superior ou até como camada intermédia por baixo de uma gabardina ou blazer.
  3. Dificilmente encontro um blusão em pele de que goste. As marcas parecem optar sempre por acrescentar um fecho ou colocar uma gola diferente para o tornar mais "moderno". Mas eu prefiro gastar o valor que custa um casaco de cabedal num artigo mais clássico e portanto menos sujeito a passar de moda. Pelo contrário quase todas as marcas têm casacos de ganga que seguem o estilo clássico.
  4. Raramente visto um casaco de cabedal que não precise de arranjos para me ficar bem ou confortável. Ao invés, quase todos os casacos de ganga assentam-me na perfeição, independentemente da marca.
Por estas razões considero o casaco de ganga quase essencial. À semelhança das calças de ganga, o casaco, para maior versatilidade, deve ser num tom intermédio de azul, parco em lavagens e com um corte o mais clássico possível. E o casaco de ganga é dificilmente mais clássico do que um Levi's trucker como este. Mas como disse, quase todas as marcas, seja as tradicionais americanas ou não, têm as suas versões do clássico casaco de ganga.

Não vale a pena por isso correr para a loja mais próxima para comprar um. Até porque algumas marcas os colocam à venda a preços obscenos. Como o casaco de ganga atingiu a maturidade e pouco muda em anos é mais acertado comprar nos saldos, num outlet ou, melhor ainda, usado já com alguma patina incorporada.

Se o casaco de ganga é indissociável da cultura americana eu recorro à receita clássica americana para o conjugar. Confesso, o casaco de ganga com uns chinos num tom cru, bege ou khaki (como aqui) é uma das melhores combinações que existem. E tão fácil de fazer. Pessoalmente não gosto de conjugar casaco de ganga com mais ganga, seja calças ou camisa. Se o quiser fazer tenha o cuidado de escolher peças de diferentes tons para não parecer que está fardado.

Acho piada ao contraste do casaco de ganga com uma gravata mas hoje optei por algo bem mais descontraído como uma t-shirt básica. Neste caso em azul celeste que é uma excelente cor para conjugar com peças de verão.

Para dar alguma nobreza ao conjunto e porque a descontracção não tem de estar dissociada da elegância uns moccasins em camurça são informais, confortáveis, sem perda de classe.

Casaco ganga - Levi's; Calças chino - Sisley
T-shirt - Zara; Relógio cronógrafo - Swatch

Sapatos camurça - Massimo Dutti
Cinto lona - Pepe Jeans

abril 07, 2012

Calças brancas para o verão

A parte de cima do conjunto que vesti hoje não difere muito deste. Mas a imagem de hoje é mais descontraída e a principal razão são as calças brancas. A cor branca é muito versátil por se conseguir combinar com praticamente todas as cores. É uma cor naturalmente neutra. Porém tem a particularidade de só ser neutra numa camisa, pólo ou t-shirt. O branco num casaco, calças ou sapatos não perde versatilidade mas essas peças deixam de ser neutras.

As calças brancas dão nas vistas e obrigam a alguma dose de confiança para as usar. Mas não devia haver razão para não o fazer nos próximos meses. As calças brancas podem fazer parte de praticamente qualquer outfit de primavera/verão. Não vai ser a última vez que as vou mostrar no blog até porque tenho três pares em diferentes tecidos. Estas são as de ganga, os clássicos jeans Levi's 501.

Uma das cores que fica bem com branco é o tom cognac do cardigan e dos sapatos. Apesar de o cognac também não ser um tom totalmente neutro não me parece que o conjunto fique excessivamente colorido até porque no total limita-se a três cores (azul claro, cognac, branco).

Calças ganga - Levi's; Sapatos - Massimo Dutti
Camisa algodão - Massimo Dutti; Cardigan malha fina - H&M

abril 04, 2012

Receber a primavera

Revisito o tema blazer + calças militares (que já tinha abordado aqui) mas agora numa versão mais leve nas cores ou tecidos própria de primavera.

Primeiro vou destacar os sapatos, não pelo modelo mas pela cor. É um tom castanho cognac com um aspecto envelhecido que me faz gostar bastante deles. Apesar se não serem de alguma forma sapatos formais (têm sola de borracha) a cor dá-lhes seriedade. O tom cognac é talvez o meu tom favorito para sapatos e na verdade ando a procurar uns Oxford wingtip brogue nesta cor para usar com outfits mais elegantes do que este.

O blazer em algodão podia fazer parte de um fato mas não faz. Está na fronteira entre o o suit jacket e o sport jacket e por isso é bastante versátil. A cor, algures entre o azul e o cinzento, também contribui para essa versatilidade.

O cinto complementa os sapatos. Sou da opinião que o cinto deve conjugar com os sapatos mas não obrigatoriamente ser uma extensão destes. É interessante ter um cinto de camurça a combinar com uns sapatos camurça, por exemplo. E é desejável que os dois tenham a mesma cor ainda que que possam ter tons diferentes como aqui. Mas não têm de ser feitos com o mesmo material.

Calças militar algodão - Salsa


Blazer algodão - Cortefiel; Lenço de bolso algodão - Zara
Camisa oxford - A&F; Cinto entrelaçado pele - Massimo Dutti
Sapatos pele - Massimo Dutti

abril 03, 2012

A cor natural do cardigan

Há uns dias defendi a versatilidade do cardigan. Hoje vou dar um exemplo daqueles fáceis de construir. Feito só com peças básicas e muito pouca imaginação. Mesmo apropriado para aqueles dias em que que estamos atrasados ou sem vontade de pensar no que vestir.

O cinza é, na minha opinião, talvez a cor mais versátil para a camadas exteriores como sobretudos ou casacos grossos. O cardigan pode ser usado como camada exterior e por isso o cinza é uma cor que lhe assenta bem. Mas mesmo não contando com isso se só tivesse um cardigan seria em cinza claro. Não sei porquê mas acho que é a cor mais natural para este tipo de peça. O resto do conjunto é básico: camisa azul claro, chinos navy e sapatos castanhos. 
Relógio Swatch; Calças chino Zuky
Camisa algodão - Decenio; Cardigan em malha - Red Oak

Sapatos - Massimo Dutti

abril 02, 2012

Isto é ter pinta, take2

No seguimento do post anterior outra foto dentro do tema blazer bege - camisa rosa - mocassins castanho. Mas agora combinado com uns jeans essenciais para um efeito igualmente estupendo. E a fixação dos sartolialists em serem fotografados montados em bicicletas?