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abril 04, 2014

Elevar as calças cargo

Há uns posts atrás escrevi sobre moda e como a procura incessante de tendências é uma ideia que se torna menos cativante à medida que se reflecte nas implicações dela. Mas isso não quer dizer que o estilo masculino (a minha tradução para menswear em oposição a men's fashion) não evolua e não apresente as suas tendências. Naturalmente eu não compro todas mas uma das que que convenceu ultimamente é o uso de calças cargo em trajes mais elaborados, ou na expressão inglesa, difícil de traduzir, dress up. Dress up e dress down, isto é, usar peças de roupa informais em conjuntos formais e vice versa é uma das grandes tendências recentes e uma arte, que quando bem dominada, consegue produzir resultados fantásticos.


As calças cargo (pelo menos a imagem habitual que temos na cabeça) estão na ponta mais casual da escala das calças. Mas como para tudo o resto, as calças cargo não nascem todas iguais. Quanto a mim aquelas calças cargo largas e com bolsos enormes só servem para ser usadas por quem no seu trabalho ou lazer precisa de guardar objectos nos bolsos como canalisadores ou caçadores. Usar uma destas calças numa esplanada é quase indesculpável, os anos 90 já foram há algum tempo.

Obviamente dressing up umas calças cargo compradas numa daquelas grandes superfícies desportivas está fora de questão. A ideia é boa mas tem de ser com as calças certas. Estas são praticamente perfeitas. No post anterior disse que a Decenio tem sempre um ou outro artigo interessante em cada uma das suas colecções. Estas calças foram o tiro no porta-aviões da colecção O/I - 13/14.

Para a Decenio estas calças eram slim fit mas para mim foi necessário reduzir o gancho e o diâmetro das pernas. Mas depois disso tornaram-se no meu par de calças com mais uso. É fácil perceber porquê, elas ficam tão bem com um casaco de ganga como com um blazer. São basicamente uns chinos com uma discreta pala em cada perna (o bolso existe e é funcional). Podem ser usadas em quase todas as ocasiões e quase todo o ano. O tecido é uma sarja de algodão grosso que faz delas umas calças para usar de Setembro a Abril. Mas o melhor das calças? A cor, um cinza esverdeado que dá com praticamente tudo.

Aqui não fui muito longe no dressing up pois já tenho usado estas calças com gravata e sapatos brogue. Até considero que estes botins desert em camurça são a peça mais casual deste look. O cinto também é em camurça para se harmonizar com os botins. O blazer é de dois botões, bolsos de chapa e num tecido (cachemira/algodão/linho) com textura espiga. Esta textura é uma paixão minha a que dedicarei um post futuro.

As calças, os botins o cinto e o blazer são caqui/torrado pelo que decidi introduzir o azul na camisa e lenço de bolso. A foto não revela mas o tecido da camisa é algodão Oxford e o padrão é de riscas verticais (2mm de largura) azul celeste/branca. Quanto a mim é uma das camisas essenciais em qualquer guarda-fato masculino. Em versatilidade rivaliza com estas calças e, agora que penso nisso, é uma das minhas camisas mais usada.

março 26, 2014

Evasão de fim de semana com um sahariana


A chegada dos fim de semana anuncia habitualmente tirar do roupeiro a roupa mais casual. Para a maioria dos homens casual significa desleixe. Mas não tem que ser assim. Para quem quer vestir casual sem presncindir da elegância do blazer tem no sahariana um clássico incontornável e fortemente recomendável. 

Como o nome deixa adivinhar o sahariana inspira-se nos casacos dos exploradores de África para quem os bolsos grandes e expansíveis eram úteis para carregar material de caça e de sobrevivência. Existem sahariana com bolsos de alto a baixo mas eu prefiro num corte blazer com apenas dois ou três botões e lapela. Na minha opinião resulta num casaco que mistura sofisticação e descontracção nas medidas certas. Este casaco deve ser o mais simples possível. A roupa masculina é essencialmente corte e sobriedade. Em muitos casacos deste tipo há muitas vezes a tentação de colocar mais um bolso ou mais uma presilha e só se consegue estragar o design. Less is more. Normalmente sai a asneira querer inovar os clássico na ânsia de os melhorar.

Os saharianas raramente saem mais perfeitos do que este blazer 50% algodão-50% linho. Gosto de tudo, do tamanho e colocação dos bolsos, da textura do tecido e do corte. Por impressionante que possa parecer ele não sofreu nenhuma modificação. Uso-o como o comprei. Ainda não tem muito, falta moldá-lo ao corpo mas não conto ter que levá-lo à costureira.



Se calhar questionará a cor uma vez que foge dos óbvios tons terra (castanho, caqui, bege) mais naturais e consentâneos com as origens deste casaco. No entanto, e como já tenho referido, o azul navy é a cor base para blazers, é a mais versátil e sempre uma escolha acertada. Mesmo num sahariana. Mas existe uma outra razão para ter comprado este em azul navy. É que também comprei outro em cinza/caqui!


O nosso gosto evolui, resultado do nosso amadurecimento e das influências externas. Nos últimos meses tenho estado mais desperto para os looks monocromáticos, principalmente conjuntos em vários tons de azul. Este nem é o melhor exemplo pois podia ter ido mais longe, se tivesse calçado umas desert boots em camurça azul escuro (combinação que gosto como aqui). Contudo o azul é a cor dominante. As calças são cinza, mas um cinza azulado que se harmoniza com o navy do casaco (estes jeans também ficariam bem). As meias seguem a regra de ser um tom mais escuro do que as calças. Podia ter escolhido uma camisa azul celeste para usar debaixo do casaco navy mas não gosto da ausência de contraste com as calças daí a escolha do branco neutro. A bracelete do relógio navy, cobalto e branco ajusta-se à roupa.


Relativamente aos sapatos, a opção mais natural seria um par de loafers em camurça camel ou torrado, já que a camisa em linho e o casaco linho/algodão gritam verão. Mas neste dia de primavera o termómetro não passou dos 16ºC pelo que a opção caiu sobre estas botas em camurça chocolate complementadas por um cinto no mesmo tom e material.

novembro 28, 2012

Os sapatos perfeitos

Para mim, no que toca a vestuário, é nos sapatos que é mais difícil encontrar aquilo que realmente gostamos. Usando uma expressão popular nos dias que correm, no que toca a sapatos existe uma fina linha entre o admirável e o dispensável. Nos sapatos os detalhes são tudo e às vezes bastam pequenos milímetros de diferença para que se perca a harmonia. Ainda para mais porque os sapatos são das peças mais caras que podemos adquirir e por isso vale a pena apostar aquilo que nos faz ter vontade de calçar.

Quando nos cruzamos com os sapatos perfeitos paramos e admiramos.Com pena minha não me cruzei fisicamente com estes apenas vi nesta foto. Não lhe alterava nada, estão perfeitos assim.

A perfeição deles vem da coerência entre todos os detalhes mas também do resultado final. Aplica-se a estes sapatos uma expressão inglesa de que gosto bastante: o todo é maior do que a soma das suas partes. E que partes são essas? Que coerência existe entre elas?  São uns oxford (o tipo mais formal de sapato) mas num tom cognac desportivo que lhes dão uma formalidade intermédia.

Os detalhes acompanham. O formato da ponta não é alongado (formal) nem arredondado (informal). Não é plain toe (formal) nem wing tip (informal) mas cap toe de formalidade intermédia, bem rematada com uma discreta linha brogue, novamente. A sola tem uma espessura média que completa correctamente a parte superior.

O resultado final é um par muito versátil que pode ser usado com um fato durante a semana e uns jeans no sábado. São simultâneamente elegantes e rudes, muito masculinos. Se vivêssemos num mundo mais parco e maçador em que só pudéssemos ter um par de sapatos a minha escolha andaria por aqui.

julho 14, 2012

Essencial XVI - Gravata preta com motivos brancos


Tenho escrito que o guarda-roupa perfeito provavelmente não aceita a cor preta mas a perfeição é uma utopia e, na prática, recusar peças pretas sem excepção afigura-se difícil.  A gravata é talvez o melhor exemplo do jeito que o preto pode dar. Vai depender da cor dos blazers e/ou fatos que se tenha, mas a gravata preta adapta-se a praticamente todas as cores neutras de blazers/camisas e por isso ganha o estatuto de essencial.

Uma gravata preta lisa é, se for normal, demasiado fúnebre, se for skinny, demasiado rockabilly ou adolescente conforme o resto do outfit. Uma gravata preta com motivos brancos geométricos, seja quadrados como nas fotos, riscas inclinadas como aqui ou horizontais, pintas, etc, é seguramente uma melhor aposta. Até porque o apontamento branco na gravata fará ligação com o eventual lenço de bolso branco essencial.

Em dissonância como o meu discurso o preto domina o meu conjunto de hoje. Uns sapatos oxford simples pretos, a quintessência do calçado clássico masculino, são outro essencial dizem as regras de bem vestir. Concordo mas só para homens que se vistam de forma bastante formal durante semana. Esse não é o meu caso e aqui optei por uma solução num degrau inferior da seriedade, uns monk strap

Os sapatos estão adequados com a formalidade do restante conjunto. Troquei o blazer preto por este beje. Aligeirou e aclarou o visual o que me parece consentâneo com a época do ano.




junho 25, 2012

Homenagem ao estilo transalpino



Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Falhei a publicação do look na passada segunda-feira, esta semana não podia deixar de o fazer. Mas com as temperaturas a superarem os 30ºC não é fácil vestir blazers assertoados. Estes devem estar sempre apertados quando vestidos, e não apenas no botão visível, mas também no gémeo escondido. Tanto tecido preso por apenas um botão desfigura o cair do blazer. Contudo hoje queria prestar uma homenagem ao estilo italiano e, como são as marcas italianas que estão a recuperar o blazer assertoado, uma homenagem justa teria de o incluir.

Igualmente trendy, e indiscutivelmente mais italiano do que o blazer DB, é o sapato monk strap, cuja tradução à letra é monge cinta. O nome advém da sua origem pois este tipo de sapato foi usado inicialmente pelas congregações de monges que habitavam nos Alpes italianos. E claro, do uso de fivelas para o prender ao pé. Hoje em dia é um sapato de formalidade intermédia abaixo dos blucher e acima dos loafer e como tal bastante versátil. Não só gosto do estilo dos monk strap de duas fivelas como eles se encaixam no nível de formalidade da roupa que uso.


Sou esquisito em relação a sapatos e aquilo que que tenho mais dificuldade em comprar são sapatos formais. As boas marcas, como a Carmina ou Crockett & Jones, para não referir outras ainda mais caras, sabem fazer sapatos formais bonitos mas muito caros. Abaixo desse price level as coisas complicam-se. As marcas procuram tornar os seus modelos distintos e, pelo menos para o meu gosto, caem muitas vezes no erro de conceber modelos overstyled.

Sorte a minha há umas semanas ter deparado com estes double monk strap perfeitos. A biqueira é alongada e quadrada na medida exacta. Os restantes detalhes são exactamente como eu acho que o monk strap ideal deve ser. São em camurça chocolate, as fivelas são pequenas e afastadas e a ponta é cap toe. De aspecto o sapato parece-me luxuoso, vamos ver se supera o teste do tempo. Apesar do nome da marca - Montenapoleoni - são portugueses e feitos em Portugal.

Para reproduzir o estilo italiano não basta calçar O sapato italiano, é preciso usá-lo como se faz em Milão no verão, isto é, sockless e com a fivela posterior desapertada. Não apertando a segunda fivela o monk strap descalça-se como um slip on. Também ajuda a ventilar e refrescar o pé.


Como o restante outfit é todo neutro em cores aproveitei para vestir estas calças mais exuberantes. São de uma mistura algodão/linho muito leve. O verão é de resto uma altura para deixar as gangas e os chinos no armário.

Última nota para a gravata vichy (ou gingham). Já tenho mencionado este padrão que funciona em quase todas as peças e que se encaixa facilmente nos looks, principalmente se a única cor não branca for o azul marinho como aqui.

junho 10, 2012

Oxblood do pescoço aos pés

Não é difícil um homem andar bem vestido. Basta escolher peças neutras e seguir algumas regras. Tudo se complica quando se sai do testado e provado. Para isso é requerida uma capacidade de integração de todas as peças de um conjunto que, sejamos sinceros, não é um forte masculino.

Aqui está um bom exemplo de como o fazer. A camisa branca, o casaco amarelo e as calças pretas são um trio relativamente trivial e seguro. Mas completar este look com gravata, cinto e sapatos oxblood revela coragem e sabedoria. O resultado final está estupendo.


junho 04, 2012

Sapatos fora da palete de conforto

Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Em relação à semana passada o look de hoje é mais requintado mas sem deixar de ser desportivo. Salta imediatamente à vista o vermelho dos sapatos. Para que eles não pareçam aterrados ali vindos do nada coloquei esta gravata xadrez. O vermelho da gravata é como o bilhete de entrada para os sapatos, enquadra-os no conjunto clássico. Porque o vermelho sai fora da zona de conforto cromática mantive tudo o resto o mais neutro possível. Uns chinos beges e uma camisa azul clara são tão neutros quanto se possa querer.


Nas fotos não dá para ver mas o algodão da camisa tem um efeito espinha que, quem me segue, saberá que gosto muito de ver ver em roupa, seja casacos, camisas ou mesmo gravatas. O tecido espinha tem dupla personalidade, é delicado e rufia ao mesmo tempo. É como aqueles vilões que distribuem charme na festa e depois se esgueiram até escritório da casa para roubar as jóias do cofre, não hesitando em matar à queima-roupa quem se atravessar no seu caminho.


Hoje vou escrever um pouco mais sobre o blazer. Talvez mais do que nos blazers de uma fila de botões, o tailoring de um blazer assertoado é essencial para não parecer, literalmente, um saco enfiado pela cabeça. Seria incapaz de vestir este tal como o comprei. Das costas foi retirado tecido que dava para fazer outra lapela. E quando olho para as fotos não deixo de notar que se as mangas fosse apertadas do cotovelo ao punho ele ainda ficaria melhor.

Existe uma opinião largamente difundida de que os blazers assertoados não são apropriados para homens mais volumosos de barriga. Mas essa percepção desafia a lógica ou então, mantendo o imaginário cinematográfico, sou eu que estou sugestionado por filmes de gangsters na período da lei seca americana. Naturalmente que um blazer largo, seja assertoado ou não, não favorece um barriga grande. Mas desde que devidamente ajustado, as duas linhas de botões acentuam a verticalidade do corpo e distraem do volume da cintura o que melhora a aparência de um homem com mais cintura. 

Já os homens baixos não beneficiarão tanto dos blazer assertoados. À semelhança dos antigos blazer de três botões, o seu V está, invevitavelmente, mais subido do que num blazer de dois botões. Por essa razão um homem mais baixo tenderá a ficar como uma figura desproporcionada e ridicularizada se vestido com um.

Poder-se-à questionar a sensatez de adquirir um blazer assertoado navy quando já se tem um de dois botões nesta cor. Por enquanto, pois acredito que venham a ficar mais populares nas próximas épocas, compram-se os blazers assertoados que aparecem e não aqueles que se quer. Não obstante esta evidência, considero que os dois são suficientemente diferentes para poderem coexistir num armário. E depois podem ser sempre diferenciados pelo tecido de que são feitos, cor dos botões, etc. 



maio 31, 2012

O caso da camisa xadrez


Uma das peças de roupa mais arriscada de adquirir é a camisa com padrão xadrez. É um risco porque nunca sabemos quanto tempo vamos gostar dela, se seis anos se seis meses. E sou da opinião que se fizermos uma compra a que não damos uso pelo menos quatro temporadas foi uma má adição. Nunca compro uma camisa xadrez a primeira vez que a vejo. Deixo a ideia amadurecer na minha cabeça. As compras de impulso são sempre más. Em camisas xadrez podem ser desastrosas. Não tenho muitas, mostrei uma de inverno e agora mostro esta. Um guarda-roupa masculino precisa de pelo menos uma camisa axadrezada.

Um dos truques mais elementares para escolher as calças para usar com uma camisa xadrez é conjugar a sua cor com um dos tons da camisa. Aqui a tarefa está simplificada porque esta camisa tem várias cores (areia, laranja, verde, azul), todas em tons neutros. As calças são umas Dockers num algodão muito fino (talvez o par mais fresco que tenho) e num tom areia quase branco. Creio que estão à beira dos 10 anos mas com uma actualização recente acho que duram outros tantos.

Os mocassins foram um achado de fim de saldos. Acho que eles só estavam ainda disponíveis porque muitos pensaram como eu: o verde é giro mas com a sola e atacador em turquesa não. A verdade é que o turquesa diminui em 50% a versatilidade deste par. Mas 50% da versatilidade por 50% do preço soou-me suficientemente bem.

Ironicamente aqui usei os sapatos devido e não apesar da cor turquesa. Como as calças combinam com a camisa e os sapatos combinam com o cinto e a camisa, ainda por cima tudo em tons neutros, o conjunto ia resultar demasiado certinho e triste. Acho que os sapatos introduzem uma quebra bem-vinda.

Quando tirei estas fotos estavam mais de 30ºC. Se estivesse mais fresco completaria com um casaco castanho ou azul marinho, talvez este cardigan

maio 30, 2012

De violeta e roxo

Dificilmente uso roupa violeta ou roxa. E acho que não são cores que façam muito pelo visual masculino. Mesmo nelas acho que devem ser usadas com moderação. O que não quer dizer que não haja excepções à regra, como aqui

maio 28, 2012

Essencial XIV - Mocassins camel

Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Este é o primeiro de cinco looks que vou publicar nas próximas segundas-feiras e que terão em comum este blazer Purificación Garcia assertoado em algodão navy. Os blazers assertoados estão a voltar e com toda a oportunidade pois têm o condão de ser ainda mais elegantes do que a versão de uma única linha de botões. Infelizmente esta herança militar caiu em desuso quando os homens se começaram a vestir de forma (demasiadamente) informal. Mas sobre blazers assertoados em geral, e neste em particular, dedicarei os próximos posts deste tema. Este vou dedicar a um essencial de verão, um par de driving moccasins.

No verão um homem precisa de sapatos de verão, isto é, sapatos frescos e de cores mais claras. Creio que é impossível encontrar mais fresco do que uns moccasins sem comprometer o estilo. Sou um entusiasta do género e até recomendo ter mais do que um par. Uma alternativa que ganha em racionalidade mas que, para mim perde em pinta, são os populares sapatos vela. A outra é este cruzamento entre moccasin e sapato vela que resultou muito bem.

O mais racional será ter um par castanho mas mostre alguma bravura cromática e não compre o seu décimo par de vela Rockport castanho escuro com sola preta. Ainda que estejamos a falar de uns essenciais sugiro a cor camel, se forem vela, com a sola branca.

Ninguém me paga para escrever isto mas, se não venero os sapatos formais da Massimo Dutti, no que toca a calçado desportivo acho que eles acertam em cheio. Não conheço driving moccasins mais bonitos do que os da marca espanhola e estou a incluir os luxuosos Tod's ou Car Shoe. A colecção deste ano é particularmente apelativa. Nestes camel colocaram uma sola azul, um toque soberbo, que faz deles os companheiros ideais para uns jeans azuis. Não é o caso aqui, são jeans mas são brancos.

Em Portugal não é comum os homens arriscarem a cor branca para cobrir as pernas mas só temos a ganhar em fazê-lo, dá com tudo e tem estilo. Com um blazer double breasted marinho com botões brancos torna-se uma escolha óbvia.

O look de hoje é despojado de acessórios. Costumo ser fiel à regra de dois, no máximo três, itens não neutros por outfit. Sapatos camel não são neutros, o fúcsia da camisa também não é neutro. Em Portugal, calças brancas e até blazers assertoados, independentemente da cor, não são neutros. Não achei que houvesse espaço para acessórios.

maio 11, 2012

Essencial XI - Camisa rosa claro


Depois do azul claro e branco considero o rosa claro o tom mais imprescindível para uma camisa. Pode ser lisa ou às riscas/quadrados com branco, fundamental é que o rosa seja pálido para garantir subtileza e neutralidade. Esta tem micro-riscas rosa/branco.

Ainda que bastante versátil, a camisa rosa brilha mais quando conjugada com beges ou castanhos claros. Esta combinação é uma das mais antigas no protocolo masculino. Consta que o homem que, inadvertidamente friccionou um pau em palha e descobriu o fogo, vestia um blazer bege e uma camisa rosa.

Esta camisa tem punhos franceses, um detalhe de visual requintado mas que tolhe parte da versatilidade. Primeiro porque só funciona com blazers, não encaixa debaixo de uma camisola ou cardigan. Segundo porque é suposto ser usada sempre com os punhos fechados e em dias quentes como o de ontem enrolar as mangas torna-se imperioso. Para quem não se veste diariamente de formal bastante formal não é uma aposta racional.

Outra combinação cromática clássica a que já me tenho referido é a bege/navy. Aqui aparece invertida. Diz-se que os homens mais dotados de barriga a devem evitar. Teoricamente faz sentido, se as cores escuras disfarçam o volume usar um blazer claro com umas calças escuras realça o volume abdominal. Na prática, acho que, desde que se goste de ver, deve ignorar este conselho. Inverter as cores é uma forma não negligenciável de diversificar os looks.

Abaixo da cintura vesti-me de forma mais informal. As calças são umas chino tradicionais e os sapatos uns penny loafers em camurça. Não gosto muito de loafers, e a principal razão é não gostar do design recto do loafer típico. É muito raro encontrar uns que goste, mas é o caso destes da Massimo Dutti. Os casual shoes são, quanto a mim, uma das especialidades da casa espanhola, pois têm um design moderno que vai ao encontro daquilo que procuro em sapatos mais desportivos. E os loafers são sapatos informais. Outra coisa que me levou a apostar neste par é a cor. Não é fácil encontrar sapatos com o tom certo de verde mas estes têm-no. Em sapatos de verão também gosto do apontamento da sola branca.

Gosto de ver sapatos slip-on sem meias. Com temperaturas acima dos 30ºC sabe bem andar sem meias a tapar o tornozelo seja qual for o tipo de sapato. A decisão não foi complicada, porém nem todos a podem tomar em dias de trabalho.

Blazer algodão - Decenio; Camisa algodão - Massimo Dutti
Sapatos camurça - Massimo Dutti
Calças chino - Zuky; Relógio cronógrafo - Swatch

maio 03, 2012

Casaco laranja

Alguma vez tinha pensado num casaco laranja? Acho que também não até ver esta foto. E a ligação entre o casaco e o laranja dos atacadores dos sapatos? Muito bom.


abril 30, 2012

3 coisas que verão aqui neste verão

Depois das três tendências que não têm a minha adesão aqui ficam três sugestões que irei usar nos próximos meses:

1. driving moccasins
Os driving moccasins não são propriamente novidade mas, pelo menos em Portugal, têm renascido nas duas últimas temporadas. Acho que este ano estarão mais em força. E, seguindo a tendência deste verão, em várias cores.

Porque será interessante ter pares em várias cores e porque os driving moccasins são sapatos de vida limitada acho mais racional ter quantidade em vez de qualidade. Esta foto é de uns Tod's edição Ferrari, uma preciosidade que custa, provavelmente, o mesmo do que toda a colecção de driving mocs da Zara.

2. calças brancas

Também não são novidade mas permanecem uma raridade em Portugal. No entanto, injustificadamente. Não existe cor mais conjugável nem cor mais confortável no verão do que o branco.

Todos os homens deviam ter pelo menos um par de calças brancas, idealmente mais pois tendem a sujar-se mais do que o habitual. Ter mais do que um par é uma oportunidade para ter umas calças brancas para cada ocasião. Uma aposta que recomendo vivamente.

 3. cintos finos
Os cintos largos com grandes fivelas já não se usam há alguns anos. Mais recentemente eles começaram a ficar mais estreitos a ponto de haver propostas de cintos skinny para homens. Demorei algum tempo a apreciar mas sou fã confesso. Os cintos finos compõem um visual sem o dominar. E são úteis em homens mais baixos para quem as linhas horizontais diminuem a noção de altura.

abril 28, 2012

3 coisas a que digo não neste verão

As modas vão e vêm. A umas aderimos a outras nem tanto. Hoje vou enunciar três que vou passar a lado e a amanhã escreverei sobre três a que aderirei.

1. Pólos com riscas no colarinho e mangas
Este exemplo que coloco aqui não é o melhor. É sóbrio e até seria capaz de o usar mas já tenho visto alguns que só vestiria sob protesto. Este tipo de pólos é típico dos anos 70/80 do século anterior. E, quanto a mim, é uma daquelas modas que deveríamos deixar ficar sossegadas. Não basta a infeliz tradição de as marcas colocarem o símbolo no peito dos pólos, agora ainda os querem afastar da simplicidade do pólo liso, e acrescentar riscas que só lhes retiram versatilidade sem adicionar nada em beleza. A mim não convencem.





2. Alpercatas
Este é outro vento que sopra da década de 80. Há uns anos atrás achou-se que havia espaço fora de casa ou praia para os chinelos de borracha. Agora quer dar-se a mesma liberdade a estas sandálias em lona e corda chamadas alpercatas. Ao preço a que já as tenho visto à venda elas vão andar por aí, em força. Eu vou continuar a usar chinelos, em casa ou na praia. Para tudo o resto, sapatos ou ténis.

3.Bermuda-saia
Nem sei como chamar a estas bermudas que parece que se aprestam para invadir o nosso verão. Os cargo shorts baggy estão a passar de moda e parece que vão dar lugar, por um lado, às bermudas clássicas slim, por outro, as estas bermudas ainda mais baggy e com uma altura enorme entre a cintura e o começo das pernas. Como é que tornar umas bermudas mais parecidas com uma saia fará alguma coisa pela imagem de um homem é uma experiência a que não me vou dedicar. 

abril 26, 2012

Em tons cobalto e oxblood

Em Portugal a trench é muito popular entre as mulheres mas entre os homens nem por isso. Eu gosto a ponto de a considerar um essencial masculino. Gosto porque é bastante versátil e tem muito mais pinta do que a gabardina convencional. E num dia de chuva vem mesmo a calhar.

Outra peça que resulta bem e está na moda é a camisola de malha com gola em V num tom azul. Não o tradicional azul marinho mas um mais claro e forte. Esta já tem uns aninhos e é de um tom azul cobalto que, sem deixar de ser neutra, aligeira um visual. Se comprasse hoje teria adquirido num turquesa ainda mais claro mas eu uso camisolas tão poucas vezes que não vale a pena comprar outra.

As botas, que já estavam guardadas na caixa à espera do próximo inverno, são num tom oxblood que gosto bastante. À semelhança da camisola cobalto, é um desvio do castanho tradicional mas sem perder neutralidade.

Botas e calças bombazina - Massimo Dutti
Trench algodão - Zara
Cachecol lã - Mr. Blue; Camisola lã - Springfield

abril 21, 2012

Os italianos é que sabem

Em matéria de estilo, falemos de mobiliário, carros, motos ou quase tudo aquilo que se possa imaginar os italianos são praticamente imbatíveis. Na bota da Europa o bom gosto está impregnado no ADN. Também na forma de um homem se vestir com estilo os italianos mostram muitas vezes como se faz. Pessoalmente agradeço-lhes o apuramento de duas das coisas que estão na ordem do dia e das quais gosto bastante, os sapatos monk strap e o blazer assertoado. 

Aqui ficam dois excelentes exemplos da elegância de um blazer assertoado. Em relação aos double monk strap camel do senhor da direita, dispensam comentários. Se a perfeição pudesse ser moldada em sapatos ela seria assim.

abril 08, 2012

O look descontraído da ganga

Ainda que o casaco mais versátil e elegante que um homem pode ter seja o blazer existem ocasiões em que apetece e se deve vestir algo mais descontraído. A escolha mais óbvia para a diversificação de um guarda-roupa masculino é o blusão em pele. Outra possível é o casaco de ganga. Actualmente não tenho nenhum blusão de cabedal mas já pensei em adicionar um segundo de ganga ao meu guarda-roupa. Há quatro razões para isso acontecer:
  1. Os blusões de cabedal são caros. Quase de certeza a peça mais cara do guarda-roupa de um homem. E bastante mais caro do que um casaco de ganga. E não vale a pena comprar algo de qualidade inferior pois o mais provável é não se vir a dar-lhe uso.
  2. Enquanto a pele se torna insuportável em dias quentes, o casaco de ganga pode ser usado todo o ano, como camada superior ou até como camada intermédia por baixo de uma gabardina ou blazer.
  3. Dificilmente encontro um blusão em pele de que goste. As marcas parecem optar sempre por acrescentar um fecho ou colocar uma gola diferente para o tornar mais "moderno". Mas eu prefiro gastar o valor que custa um casaco de cabedal num artigo mais clássico e portanto menos sujeito a passar de moda. Pelo contrário quase todas as marcas têm casacos de ganga que seguem o estilo clássico.
  4. Raramente visto um casaco de cabedal que não precise de arranjos para me ficar bem ou confortável. Ao invés, quase todos os casacos de ganga assentam-me na perfeição, independentemente da marca.
Por estas razões considero o casaco de ganga quase essencial. À semelhança das calças de ganga, o casaco, para maior versatilidade, deve ser num tom intermédio de azul, parco em lavagens e com um corte o mais clássico possível. E o casaco de ganga é dificilmente mais clássico do que um Levi's trucker como este. Mas como disse, quase todas as marcas, seja as tradicionais americanas ou não, têm as suas versões do clássico casaco de ganga.

Não vale a pena por isso correr para a loja mais próxima para comprar um. Até porque algumas marcas os colocam à venda a preços obscenos. Como o casaco de ganga atingiu a maturidade e pouco muda em anos é mais acertado comprar nos saldos, num outlet ou, melhor ainda, usado já com alguma patina incorporada.

Se o casaco de ganga é indissociável da cultura americana eu recorro à receita clássica americana para o conjugar. Confesso, o casaco de ganga com uns chinos num tom cru, bege ou khaki (como aqui) é uma das melhores combinações que existem. E tão fácil de fazer. Pessoalmente não gosto de conjugar casaco de ganga com mais ganga, seja calças ou camisa. Se o quiser fazer tenha o cuidado de escolher peças de diferentes tons para não parecer que está fardado.

Acho piada ao contraste do casaco de ganga com uma gravata mas hoje optei por algo bem mais descontraído como uma t-shirt básica. Neste caso em azul celeste que é uma excelente cor para conjugar com peças de verão.

Para dar alguma nobreza ao conjunto e porque a descontracção não tem de estar dissociada da elegância uns moccasins em camurça são informais, confortáveis, sem perda de classe.

Casaco ganga - Levi's; Calças chino - Sisley
T-shirt - Zara; Relógio cronógrafo - Swatch

Sapatos camurça - Massimo Dutti
Cinto lona - Pepe Jeans