Há uns posts atrás escrevi sobre moda e como a procura incessante de tendências é uma ideia que se torna menos cativante à medida que se reflecte nas implicações dela. Mas isso não quer dizer que o estilo masculino (a minha tradução para menswear em oposição a men's fashion) não evolua e não apresente as suas tendências. Naturalmente eu não compro todas mas uma das que que convenceu ultimamente é o uso de calças cargo em trajes mais elaborados, ou na expressão inglesa, difícil de traduzir, dress up. Dress up e dress down, isto é, usar peças de roupa informais em conjuntos formais e vice versa é uma das grandes tendências recentes e uma arte, que quando bem dominada, consegue produzir resultados fantásticos.
As calças cargo (pelo menos a imagem habitual que temos na cabeça) estão na ponta mais casual da escala das calças. Mas como para tudo o resto, as calças cargo não nascem todas iguais. Quanto a mim aquelas calças cargo largas e com bolsos enormes só servem para ser usadas por quem no seu trabalho ou lazer precisa de guardar objectos nos bolsos como canalisadores ou caçadores. Usar uma destas calças numa esplanada é quase indesculpável, os anos 90 já foram há algum tempo.
Obviamente dressing up umas calças cargo compradas numa daquelas grandes superfícies desportivas está fora de questão. A ideia é boa mas tem de ser com as calças certas. Estas são praticamente perfeitas. No post anterior disse que a Decenio tem sempre um ou outro artigo interessante em cada uma das suas colecções. Estas calças foram o tiro no porta-aviões da colecção O/I - 13/14.
Para a Decenio estas calças eram slim fit mas para mim foi necessário reduzir o gancho e o diâmetro das pernas. Mas depois disso tornaram-se no meu par de calças com mais uso. É fácil perceber porquê, elas ficam tão bem com um casaco de ganga como com um blazer. São basicamente uns chinos com uma discreta pala em cada perna (o bolso existe e é funcional). Podem ser usadas em quase todas as ocasiões e quase todo o ano. O tecido é uma sarja de algodão grosso que faz delas umas calças para usar de Setembro a Abril. Mas o melhor das calças? A cor, um cinza esverdeado que dá com praticamente tudo.
Aqui não fui muito longe no dressing up pois já tenho usado estas calças com gravata e sapatos brogue. Até considero que estes botins desert em camurça são a peça mais casual deste look. O cinto também é em camurça para se harmonizar com os botins. O blazer é de dois botões, bolsos de chapa e num tecido (cachemira/algodão/linho) com textura espiga. Esta textura é uma paixão minha a que dedicarei um post futuro.
As calças, os botins o cinto e o blazer são caqui/torrado pelo que decidi introduzir o azul na camisa e lenço de bolso. A foto não revela mas o tecido da camisa é algodão Oxford e o padrão é de riscas verticais (2mm de largura) azul celeste/branca. Quanto a mim é uma das camisas essenciais em qualquer guarda-fato masculino. Em versatilidade rivaliza com estas calças e, agora que penso nisso, é uma das minhas camisas mais usada.
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abril 04, 2014
março 26, 2014
Evasão de fim de semana com um sahariana
A chegada dos fim de semana anuncia habitualmente tirar do roupeiro a roupa mais casual. Para a maioria dos homens casual significa desleixe. Mas não tem que ser assim. Para quem quer vestir casual sem presncindir da elegância do blazer tem no sahariana um clássico incontornável e fortemente recomendável.
Como o nome deixa adivinhar o sahariana inspira-se nos casacos dos exploradores de África para quem os bolsos grandes e expansíveis eram úteis para carregar material de caça e de sobrevivência. Existem sahariana com bolsos de alto a baixo mas eu prefiro num corte blazer com apenas dois ou três botões e lapela. Na minha opinião resulta num casaco que mistura sofisticação e descontracção nas medidas certas. Este casaco deve ser o mais simples possível. A roupa masculina é essencialmente corte e sobriedade. Em muitos casacos deste tipo há muitas vezes a tentação de colocar mais um bolso ou mais uma presilha e só se consegue estragar o design. Less is more. Normalmente sai a asneira querer inovar os clássico na ânsia de os melhorar.
Os saharianas raramente saem mais perfeitos do que este blazer 50% algodão-50% linho. Gosto de tudo, do tamanho e colocação dos bolsos, da textura do tecido e do corte. Por impressionante que possa parecer ele não sofreu nenhuma modificação. Uso-o como o comprei. Ainda não tem muito, falta moldá-lo ao corpo mas não conto ter que levá-lo à costureira.
Como o nome deixa adivinhar o sahariana inspira-se nos casacos dos exploradores de África para quem os bolsos grandes e expansíveis eram úteis para carregar material de caça e de sobrevivência. Existem sahariana com bolsos de alto a baixo mas eu prefiro num corte blazer com apenas dois ou três botões e lapela. Na minha opinião resulta num casaco que mistura sofisticação e descontracção nas medidas certas. Este casaco deve ser o mais simples possível. A roupa masculina é essencialmente corte e sobriedade. Em muitos casacos deste tipo há muitas vezes a tentação de colocar mais um bolso ou mais uma presilha e só se consegue estragar o design. Less is more. Normalmente sai a asneira querer inovar os clássico na ânsia de os melhorar.
Os saharianas raramente saem mais perfeitos do que este blazer 50% algodão-50% linho. Gosto de tudo, do tamanho e colocação dos bolsos, da textura do tecido e do corte. Por impressionante que possa parecer ele não sofreu nenhuma modificação. Uso-o como o comprei. Ainda não tem muito, falta moldá-lo ao corpo mas não conto ter que levá-lo à costureira.
Se calhar questionará a cor uma vez que foge dos óbvios tons terra (castanho, caqui, bege) mais naturais e consentâneos com as origens deste casaco. No entanto, e como já tenho referido, o azul navy é a cor base para blazers, é a mais versátil e sempre uma escolha acertada. Mesmo num sahariana. Mas existe uma outra razão para ter comprado este em azul navy. É que também comprei outro em cinza/caqui!
O nosso gosto evolui, resultado do nosso amadurecimento e das
influências externas. Nos últimos meses tenho estado mais desperto para os
looks monocromáticos, principalmente conjuntos em vários tons de azul. Este nem
é o melhor exemplo pois podia ter ido mais longe, se tivesse
calçado umas desert boots em camurça azul escuro (combinação que gosto como aqui). Contudo o azul é a cor dominante. As calças são cinza, mas um
cinza azulado que se harmoniza com o navy do casaco (estes jeans também ficariam bem). As meias seguem a regra de
ser um tom mais escuro do que as calças. Podia ter escolhido uma camisa azul
celeste para usar debaixo do casaco navy mas não gosto da ausência de contraste
com as calças daí a escolha do branco neutro. A bracelete do relógio navy,
cobalto e branco ajusta-se à roupa.
Relativamente aos sapatos, a opção mais natural seria um par
de loafers em camurça camel ou torrado, já que a camisa em linho e o casaco linho/algodão gritam verão. Mas neste dia de primavera o
termómetro não passou dos 16ºC pelo que a opção caiu sobre estas botas em
camurça chocolate complementadas por um cinto no mesmo tom e material.
novembro 30, 2012
A moda do camuflado
Há uns meses previ que a moda do camuflado recuperado pelo Nick Wooster ia chegar mais cedo ou mais tarde. Ela aí está com a força de um tornado. Para quem quiser vestir camuflado da cabeça aos pés não tem de procurar muito. Mas, como o tornado, acho que o padrão camuflado irá desaparecer tão depressa quanto chegou. Daqui a um ano já não haverá nem brisa no ar. Isso significa que não abraço este entusiasmo? Claro que sim, mas com a moderação que a curta duração dela me parece aconselhar. Comprei estes boxers camo que, na altura em que esta moda passar, já estarão perto de ser substituídos.
setembro 24, 2012
Essencial XIX - Camisa vichy
Quando escrevi há uns tempos sobre as camisas xadrez (plaid shirt na expressão inglesa) referi que são uma boa forma de variar e personalizar um guarda-roupa. Mas também são um risco enorme para quem aposta na duração das peças que compra. As camisas xadrez só são uma boa aposta depois de se ter um guarda-roupa completo com camisas lisas... e vichy.
Ao contrário das camisas xadrez, as vichy não são uma mera escolha de diversificação, são mais importantes do que isso pelo que considero uma vichy navy essencial. E fundamental numa vichy que se quer essencial é que os quadrados sejam de tamanho médio, cerca de metade do tamanho dos botões, como a das fotos. Se forem mais pequenos confundem-se com uma camisa lisa ou pata de galo. Inversamente, se forem maiores, a camisa torna-se muito desportiva para ser verdadeiramente versátil. Ainda assim podem resultar muito bem como aqui.
Depois do tom navy gosto de camisas vichy num azul forte, verde escuro, cinzento ou castanho. Mas basicamente, todas as cores que façam um bom contraste são uma boa aposta.
Pessoalmente não gosto muito de camisas com um padrão vichy de duas cores. Porque perdem versatilidade e porque as que há (verde escuro/bordeaux; marinho/castanho) são demasiado previsíveis e maçadoras para o meu gosto.
setembro 11, 2012
Blazer DB riscado
Há umas semanas sugeri dois blazers de verão, um da Zara e um da Massimo Dutti. Esse post gerou algumas comentários relativamente à qualidade, quer dos materiais quer do corte, da roupa mais elegante da Inditex, principalmente da marca Zara. Como afirmei nesse post considero que a Zara é mais forte nos básicos o que não quer dizer que se exclua desde logo peças mais elaboradas. Este blazer é um exemplo disso mesmo.
Ele é feito em algodão e, talvez não se consiga ver nas fotos, mas não é o algodão mais luxuoso que existe. Mas tudo é relativo, este não é um blazer de €800 mas de €80 (ou mesmo metade para quem o apanhou nos saldos).
Quanto ao corte estou a usá-lo exactamente como o comprei e creio que as fotos falam por si. As mangas precisavam de ser ligeiramente encurtadas no comprimento e diâmetro mas para já vou usá-lo assim. Veremos depois de se moldar ao corpo se precisa de algum arranjo. Creio que não.
O corte é quase perfeito mas havia dois aspectos que gostava que fossem diferentes:
- Preferia que fosse de lã em vez de algodão, não só porque este algodão não tem o melhor dos toques mas também porque o estilo retro dele pedia a maior nobreza da lã.
- Tenho pena que não tenha as calças correspondentes (também em lã) que ficariam estupendas como fato ou conjugadas com outro blazer.
As lapelas talvez sejam um pouco avantajadas mas de resto gosto de tudo nele: do tom petróleo do azul (nas fotos, por causa da falta de luz, parece navy), do swag das riscas brancas, da distribuição dos botões e da rigidez dos ombros.
setembro 10, 2012
Cinto estreito
O cinto estreito foi para mim aquilo a que os britânicos designam an acquaired taste. Foi a ver numa foto aqui, num filme ali, que este acessório, voltando à língua inglesa, grew on me. As mulheres estão fartas de o conhecer mas em homens é menos comum. Só que vem carregado de elegância e por isso merece ser valorizado.
Este, da Zara, pela cor e feitio, cai no meio de uma escala de formalidade e por isso é bastante versátil. Aqui uso numas calças chino com uma camisa de linho mas encaixa-se num fato de algodão, jeans ou mesmo bermudas.
Acredito que não será um tendência passageira. É seguramente uma excelente aposta para os homens mais baixos que saem elogiados por ficarem com a linha horizontal de cintura menos acentuada.
setembro 07, 2012
Camisa desportiva com dois bolsos
Uma característica da roupa é quanto mais bolsos tem mais informal é. As camisas não fogem a essa regra e normalmente as mais informais têm dois. É o caso desta camisa de linho da Red Oak. Sou fã confesso das camisas desportivas desta marca portuguesa como já tinha dito aqui.
Quando estava a carregar as fotos apercebi-me que este look não difere muito deste, na verdade segue a mesma lógica deste. Acho que este acaba por ser o preferido dos três pela simples razão de esta camisa ter um tom de azul formidável.
Ainda que ache que a roupa desportiva se possa usar mais larga esta camisa já foi cintada depois destas fotos. Ainda pensei encurtá-la para usar por fora das calças mas mantive-a com o comprimento original. Como discuti anteriormente uma camisa para usar por fora deve terminar cerca de quatro dedos abaixo do botão das calças. Em termos de comprimentos de camisa não faço compromissos, ou é dentro ou é fora! Com um comprimento intermédio saem facilmente das calças quando usadas por dentro e nunca ficam bem por fora.
Estes chinos são outro bom exemplo de que o corte é quase tudo na roupa. Quando os comprei estavam bem nas pernas mas indescritivelmente largos na cintura. Depois de apertadas tornaram-se numa das minhas calças favoritas por serem tão confortáveis.
Uma das formas de limpar um visual (que já tinha abordado no blogue aqui) é usar um cinto que se funda cromaticamente com as calças (ou camisa/t-shirt) e assim eliminar essa linha de quebra. Aqui até podia ter optado por não usar cinto dado as calças não precisarem de ser seguras. No entanto, gosto de usar este par calças/cinto por parecerem feitos um para o outro.
setembro 05, 2012
Essencial XVIII - fato cinza de verão
Em termos de fatos um homem tem as necessidades mais ou menos cobertas se tiver três de inverno e três de verão. Os de inverno devem ser mais escuros, um azul marinho, um cinzento carchoal, um castanho ou cinzento acastanhado, e de tecido mais quente. Os de verão mais claros, azul petróleo, cinza claro e caqui/bege, em materiais mais respiráveis.
Este é o meu fato cinza de verão, 100% linho que é uma opção pouco habitual em Portugal e sempre arriscada. Arriscada porque o linho perde a compostura facilmente. Estas fotos foram tiradas depois de um dia a usá-lo, tirem as vossas conclusões sobre se os vincos lhe dão personalidade ou ar desmazelado.
Dada esta característica do linho parece-me prudente usar o fato apenas uma vez por semana e deixa-lo pendurado no resto do tempo para que ele possa esticar e perder as rugas. Ainda assim é inevitável que ele necessite de ser passado a ferro mais vezes do que o normal noutros tecidos.
Outro aspecto que merece atenção é a marcação da bainha de calças de linho que não deve ser feita com elas novas e esticadas. Como inevitavelmente vão enrugar e "encurtar" deve marcar-se depois de um dia de uso. Também convém serem marcadas com os sapatos com que se vai usar normalmente. Como no verão uso quase exclusivamente loafers e drivers, que são sapatos mais baixos do que os normais bluchers e oxfords de inverno, as minhas calças de verão são ligeiramente mais longas do que as de inverno.
Este fato mais especificamente tem três incongruências. A primeira detesto, a segunda aceito e a terceira gosto:
- É forrado o que não faz grande sentido num fato de verão que se quer fresco e desestruturado.
- Tem ticket pocket e bolsos inclinados que têm sido recuperados recentemente e são conotados com informalidade. Ainda que o ticket pocket tenha originado nos sport jackets dos cavaleiros ingleses para guardar trocos eu discordo que ele introduza informalidade num casaco, pelo contrário acho que ficam mais sérios. Para além disso, linho grita Nice e ticket pocket e bolsos inclinados têm a cara de Londres o que me parece não se cruzar. Apesar de não ser o melhor blazer para aplicar um ticket pocket aceito a opção pois introduz variedade no meu guarda-roupa o que não me parece uma má ideia.
- Ainda que seja um fato de verão ele é constituído por três peças (já tinha mostrado o colete aqui). Quanto a mim todos os fatos, pelo menos os de inverno, deviam ser vir com colete. É uma peça muito elegante que ajuda a esconder um problema que afecta muitos homens, a barriga grande. Também é uma peça perfeita para fazer camadas no inverno. Num fato de verão é menos relevante e para mim, que tenho normalmente calor, acho que nunca vestirei as três peças juntas.
Das camisas mais óbvias para se usar com um fato cinzento é uma vichy. E a cor mais óbvia para uma camisa vichy é o azul marinho. Esta camisa em concreto será um dos próximos essenciais no blogue. Sendo verão a descontracção de uns loafers em camurça clara e sola branca complementa coerentemente o fato em linho.
setembro 03, 2012
Essencial XVII - Gravata azul marinho
Se uma gravata preta é essencial um guarda-roupa não está completo sem uma azul marinho. A prioridade dada a uma ou outra vai depender das cores dominantes dos fatos/blazers e, sempre importante, do gosto de cada um.
Se para mim a preta deve ter apontamentos brancos para aligeirar o look a azul não só pode ser lisa como, se o for, se torna mais versátil. Mas a cor não é tudo, também o material e a estrutura do tecido dependerá do gosto e da formalidade da roupa com que vai ser usada. Pessoalmente gosto de gravatas tricot. Ainda que estas se coloquem no extremo mais informal das gravatas acabam por combinar com outfits mais nobres. No meu guarda-roupa, dominado por sport jackets, encaixa-se na perfeição.
Como já não será segredo para ninguém o azul marinho é uma das cores básicas de um guarda-roupa masculino for ser facilmente conjugável e a gravata não foge à excepção. Esta gravata ficará particularmente bem com o meu blazer chino bege ou o herringbone castanho.
Aqui combino-o com azul cobalto que é um tom de azul que, quem me acompanha, sabe que gosto bastante. De resto a conjugação de diferentes tons de azul não só é fácil de fazer como bastante eficaz.
Para quem não está convencido li há pouco tempo o resultado de um inquérito informal que apurou que os homens se sentem atraídos por mulheres vestidas de vermelho e as mulheres gostam de ver um homem em azul marinho.
julho 17, 2012
A gravata fora do fato
A maioria dos homens acha que usar gravata é indissociável de usar fato. Usar gravata é uma inevitabilidade, não uma opção. Mas não devia ser assim e se for necessário um incentivo, as mulheres adoram ver homens de gravata.
Para lhe dar mais uso é oportuno escolher uma gravata com o mesmo nível de formalidade da restante roupa. Para quem usa muito calças de ganga creio que uma gravata de algodão ou linho (como esta) azul mesclado é uma das melhores opções. Aqui combino-a com um lenço de bolso e uns jeans lavados nos mesmo tons.
Para criar coesão de formalidade a camisa e o blazer são desportivos. E, acima da cintura, as todas as peças são feitas em linho, o blazer (também mostrado aqui) numa mistura com algodão.
Este look é um bom exemplo de como os acessórios podem fazer a diferença. Creio que não haverá homem que não tenha uma camisa desportiva branca, uns jeans azuis, uns sapatos vela ou moccasins chocolate e um blazer cinza. Ao adicionar uma gravata e um lenço azul individualiza-se um look dejá vu.
julho 15, 2012
Os inevitáveis cargo shorts
Começo por reconhecer que este não foi o meu melhor momento no blogue. Acho que este conjunto resultou melhor na cabeça quando o pensei do que retratado nas fotos. E acho que o problema dele é precisamente parecer demasiado pensado. Mas pode haver quem discorde e por isso aqui fica.
Os cargo shorts largos e destruídos são uma presença constante no verão, combinados principalmente com chinelos e, não poucas vezes, singlets. Eu não vou tão longe neste despojamento vingativo de fim de semana e combino as bermudas castanhas com uma t-shirt e uns moccasins verdes.
Um detalhe curioso sobre estes cargo shorts é que eles foram adquiridos numa das poucas lojas da Abercrombie & Fitch que existem na Europa, neste caso a de Milão. A Abercrombie & Fitch é uma marca sensação americana de roupa juvenil que promove a beleza física de uma forma obsessiva. As lojas parecem discotecas e os empregados modelos. E efectivamente as campanhas publicitárias da marca usam os empregados como modelos. Contudo estas bermudas foram adquiridas na secção de criança o que, ironicamente, mostra bem a calamidade que é a obesidade infantil e juvenil nos EUA.
O cinto veio com os calções e, como adiantei aqui, por ter uma cor semelhante não marca tanto a linha de cintura o que convém para não quebrar a atenção na verticalidade.
O blazer é em algodão/linho e completamente desestruturado, bem adequado a looks descontraídos como este.
Esta t-shirt de manga 3/4 tem um pequeno bolso que é um pormenor que gosto bastante de ver em t-shirts. Creio que de algum modo adiciona interesse visual a uma peça intrinsecamente básica.
julho 14, 2012
Essencial XVI - Gravata preta com motivos brancos
Tenho escrito que o guarda-roupa perfeito provavelmente não aceita a cor preta mas a perfeição é uma utopia e, na prática, recusar peças pretas sem excepção afigura-se difícil. A gravata é talvez o melhor exemplo do jeito que o preto pode dar. Vai depender da cor dos blazers e/ou fatos que se tenha, mas a gravata preta adapta-se a praticamente todas as cores neutras de blazers/camisas e por isso ganha o estatuto de essencial.
Uma gravata preta lisa é, se for normal, demasiado fúnebre, se for skinny, demasiado rockabilly ou adolescente conforme o resto do outfit. Uma gravata preta com motivos brancos geométricos, seja quadrados como nas fotos, riscas inclinadas como aqui ou horizontais, pintas, etc, é seguramente uma melhor aposta. Até porque o apontamento branco na gravata fará ligação com o eventual lenço de bolso branco essencial.
Em dissonância como o meu discurso o preto domina o meu conjunto de hoje. Uns sapatos oxford simples pretos, a quintessência do calçado clássico masculino, são outro essencial dizem as regras de bem vestir. Concordo mas só para homens que se vistam de forma bastante formal durante semana. Esse não é o meu caso e aqui optei por uma solução num degrau inferior da seriedade, uns monk strap.
Os sapatos estão adequados com a formalidade do restante conjunto. Troquei o blazer preto por este beje. Aligeirou e aclarou o visual o que me parece consentâneo com a época do ano.
julho 06, 2012
Look de verão
Aproveitando para passear um bocado pela nossa bela capital num dia solarengo de verão vesti estas bermudas de linho da Zara. Na sequência de uma discussão anterior acho que as peças básicas são o seu forte. Pela variedade e preço creio que a marca espanhola é difícil de bater na roupa elementar.
Estas bermudas são clássicas, com dois bolsos atrás com pala e um corte slim. São uma aposta elegante e versátil principalmente se escolhidas numa cor neutra como este amarelo suave. Como a temperatura não estava muito alta coloquei esta camisa de ganga, por coincidência a que usei no post anterior. Ela está colocada para dentro das bermudas porque gosto mais assim e porque esta camisa é comprida demais para ser usada por fora. Existem camisas com o comprimento apropriado para serem usadas por fora das calças/bermudas pelo que as camisas devem ser ajustadas à forma como se irá usá-la. Como gosto de ver camisas por dentro quase não tenho camisas curtas. Já os pólos/t-shirts são maioritariamente curtos. Usar camisas/pólos/t-shirts longas por fora das calças é, quanto a mim, dos maiores atentados que um homem pode fazer ao seu estilo.
Usar camisa por dentro de umas bermudas coloca, quanto a mim, um problema: o cinto. As bermudas, porque introduzem uma linha de quebra horizontal a meio da perna, não aconselham a que se use um cinto muito vistoso ou largo (ou que se use um cinto de todo) que possa reforçar essa horizontalidade. Estas quebras horizontais diminuem a noção de altura que, de certo, quase todos os homens gostam de projectar. Aqui optei por um cinto fino que marca menos a cintura. No próximo post com bermudas uso um cinto camuflado no tom das bermudas. Quanto a mim são duas formas possíveis de se reduzir a evidência da linha de cintura.
Como o sol foi clemente aproveitei para adicionar cor ao outfit com esta écharpe da Pepe Jeans que tem um pouco do amarelo das bermudas. Achei que a écharpe não esgotou o limite de cor do conjunto e por isso decidi calçar estes driving shoes azul cobalto. A lógica é a mesma seguida aqui, num conjunto formado por peças de cores neutras, os sapatos e os acessórios (gravatas, lenços, écharpes, relógios) podem ter cores mais estimulantes.
Sobre o cinto e os sapatos tenho preparados dois post futuros.
julho 02, 2012
Inspiração militar
Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras
Esta é a segunda vez que visto estas calças com um blazer, já o tinha feito aqui. É certo que o blazer assertoado nasceu na marinha ao passo que as cargo pants são vestuário do exército mas as duas peças conjugam-se muito bem num uso civil. Até as podia ter vestido na semana anterior dado que a combinação blazer double breasted + cargo pants + monk straps é o trio da moda quando se fala de estilo masculino italiano.
Gosto de blazers assertoados mas tem de ser o blazer assertoado certo. No caso deste tipo, e ainda mais do que no blazer clássico, o número de botões, o números de botões verdadeiros e a distribuição destes é crucial. O blazers assertoados caracterizam-se da seguinte forma: nº total de botões / nº botões verdadeiros. Este blazer é um 6/2, é o equivalente a um blazer clássico de dois botões, e é o blazer assertoado mais habitual. Também é o único que gosto. Existe o 6/1 também conhecido como Kent mas quanto a mim fica com uma lapela demasiado longa e antiquada.
No reverso da medalha certas marcas procuram fazer blazers diferentes (6/3, 4/2 e até 2/1) mas acho que na procura de originalidade só pioram o desenho clássico. Os blazers DB 4/2 ou 2/1 têm um aspecto menos institucional do que o 6/2 mas uma certa rigidez, e até masculinidade, militar é a razão que vejo para optar por um blazer assertoado no lugar de um normal. Os 6/3 pecam pela mesma razão dos clássicos de três botões, uma lapela demasiado curta. Botões 6/3 fazem sentido em trenchs e pea coats não em blazers. Neste post sobre a colecção Gucci SS2013 surgem alguns destes blazers vanguardistas que não me entusiasmam.
Depois do número certo, a distribuição destes é fundamental na beleza do blazer. Os de cima devem estar mais afastados e os quatro inferiores devem formar um quadrado de tamanho médio. Se o quadrado for grande demais a sobreposição dos dois lados fica excessiva, se for muito pequeno as duas linhas verticais ficam demasiado juntas e desiquilibradamente distribuídas no tecido. Este blazer tem a distribuição certa e foi precisamente nisso que eu reparei em primeiro lugar. O facto de os botões serem brancos foi um bónus dado que, como já mencionei, gosto de ver botões claros em blazers escuros.
A camisa de ganga, desde que num estilo clássico como aqui, enquadra-se muito bem neste estilo business casual. Até podia ter colocado uma gravata tricot navy se quisesse um pouco mais de sofisiticação.
junho 29, 2012
Branco, vermelho e azul
Os pólos são as peças de roupa do meu armário com a idade média mais alta. Não sinto necessidade de renovar em grande parte porque não sinto motivação para isso. Uso-os acima de tudo por serem muito práticos como mencionei aqui. O pólo fica, em termos de formalidade, entre a t-shirt e a camisa mas para mim tem um ar chato ou, no americano colegial, loser. São característicos daqueles rapazes que carregam os sacos das compras da menina do elevador para casa dela e nunca são convidados a entrar.
Se tivesse apenas um seria azul marinho, como no link acima, ou branco. O branco é sua a cor clássica, dado que o pólo nasceu nos courts de ténis, na década de 30, onde a roupa é tradicionalmente branca. Se hoje em dia é conhecido por polo shirt e não tennis shirt deve-se à Ralph Lauren que, nos anos 70, o conseguiu popularizar de uma forma que a Lacoste, que o inventou, nunca foi capaz.
Os jeans também são num tradicional azul, ligeiramente mesclado. O design é estilo chino mas a cor é bastante discreta. A neutralidade das calças e pólo abre espaço cromático para os moccasins vermelhos que já tinha usado aqui.
O cinto vai buscar o branco do pólo, o azul das calças e o vermelho dos sapatos num padrão vichy. Não é um item que me entusiasme isoladamente mas aqui faz bem a ligação.
junho 25, 2012
Homenagem ao estilo transalpino
Falhei a publicação do look na passada segunda-feira, esta semana não podia deixar de o fazer. Mas com as temperaturas a superarem os 30ºC não é fácil vestir blazers assertoados. Estes devem estar sempre apertados quando vestidos, e não apenas no botão visível, mas também no gémeo escondido. Tanto tecido preso por apenas um botão desfigura o cair do blazer. Contudo hoje queria prestar uma homenagem ao estilo italiano e, como são as marcas italianas que estão a recuperar o blazer assertoado, uma homenagem justa teria de o incluir.
Igualmente trendy, e indiscutivelmente mais italiano do que o blazer DB, é o sapato monk strap, cuja tradução à letra é monge cinta. O nome advém da sua origem pois este tipo de sapato foi usado inicialmente pelas congregações de monges que habitavam nos Alpes italianos. E claro, do uso de fivelas para o prender ao pé. Hoje em dia é um sapato de formalidade intermédia abaixo dos blucher e acima dos loafer e como tal bastante versátil. Não só gosto do estilo dos monk strap de duas fivelas como eles se encaixam no nível de formalidade da roupa que uso.
Sou esquisito em relação a sapatos e aquilo que que tenho mais dificuldade em comprar são sapatos formais. As boas marcas, como a Carmina ou Crockett & Jones, para não referir outras ainda mais caras, sabem fazer sapatos formais bonitos mas muito caros. Abaixo desse price level as coisas complicam-se. As marcas procuram tornar os seus modelos distintos e, pelo menos para o meu gosto, caem muitas vezes no erro de conceber modelos overstyled.
Sorte a minha há umas semanas ter deparado com estes double monk strap perfeitos. A biqueira é alongada e quadrada na medida exacta. Os restantes detalhes são exactamente como eu acho que o monk strap ideal deve ser. São em camurça chocolate, as fivelas são pequenas e afastadas e a ponta é cap toe. De aspecto o sapato parece-me luxuoso, vamos ver se supera o teste do tempo. Apesar do nome da marca - Montenapoleoni - são portugueses e feitos em Portugal.
Para reproduzir o estilo italiano não basta calçar O sapato italiano, é preciso usá-lo como se faz em Milão no verão, isto é, sockless e com a fivela posterior desapertada. Não apertando a segunda fivela o monk strap descalça-se como um slip on. Também ajuda a ventilar e refrescar o pé.
Como o restante outfit é todo neutro em cores aproveitei para vestir estas calças mais exuberantes. São de uma mistura algodão/linho muito leve. O verão é de resto uma altura para deixar as gangas e os chinos no armário.
Última nota para a gravata vichy (ou gingham). Já tenho mencionado este padrão que funciona em quase todas as peças e que se encaixa facilmente nos looks, principalmente se a única cor não branca for o azul marinho como aqui.
junho 22, 2012
Sóbrio e ajustado
Desde já aviso, hoje não há nada de novo ou cintilante. Só artigos neutros e já mostrados noutros looks anteriores. Alguns dirão que é monótono, eu chamo-lhe sóbrio. Interprete como a minha sugestão para quem vai pela primeira vez a casa dos futuros sogros. Ou para aqueles dias em que damos tudo para passarmos despercebidos. Não que isso fosse possível assim vestido. Não é vaidade, é a constatação de que 90% dos homens portugueses não se vestiriam assim. Porquê? Por duas razões.
1ª razão: as calças brancas. É quase tabu em Portugal, mas erradamente. O branco dá com tudo. Vista umas calças brancas e é menos uma conjugação para fazer. Que homem não gosta desta simplificação? Estas são as clássicas 501 da Levi's que, para não conhece a numeração da marca, é o seu corte mais clássico. Demasiado clássico para mim que uso as calças mais curtas do que o normal. Na verdade uso-as no comprimento correcto, a maioria dos homens é que as usa compridas demais. As calças devem terminar em cima da pala de um sapato de atacadores. A bainha pode dobrar ligeiramente mas nunca enrugar. As rugas encurtam as pernas e dão um ar descuidado. E a personalização não pode ficar a meio.
Umas calças com o comprimento correcto exigem outra coisa, a correcta largura da perna. O corte da perna das 501 é direito mas o diâmetro da perna masculina é igual na coxa, joelho e tornozelo? Não, não é. A roupa devem seguir o contorno do corpo por isso mandei afunilar a parte inferior das calças. Creio que estas foram reduzidas para 20cm de largura na bainha. Actualmente estabeleci esse valor nos 18cm que me parece ser o valor correcto para a minha fisionomia. Naturalmente não o faço em todas as calças mas de origem este par fazia-me parecer o John Travolta em Saturday night fever. Inadmissível.
Fora o corte das pernas estes jeans são perfeitos. Estive cerca de dez anos sem comprar calças Levi's mas estas são as calças de ganga com mais qualidade que tenho. A ganga tem o grande inconveniente de alargar mas começo a achar que este par não precisará de ser apertado como é costume nas calças de ganga. Para mitigar este problema compro as calças num número que em me fique ligeiramente apertado quando novas. E tento usar as calças umas dez vezes antes da primeira lavagem para elas se formarem ao corpo antes de levarem a tareia da máquina de lavar. Eu sei, se forem brancas é um desafio usar tantas vezes sem lavar. Existe uma terceira dica, lavar os jeans sempre à mão. Eu passo esta muito obrigado.
2ª razão: o blazer cintado. 90% dos homens usa os blazers um número ou mais acima do correcto. Para quem não recorre a alfaiate, um blazer pronto-a-vestir é essencial que fique bem nos ombros porque é a correcção mais dispendiosa e trabalhoso de se fazer. A costura deve ficar exactamente onde o ombro termina e o braço começa. Se não lhe ficar bem no ombro esqueça, há mais marés que marinheiros. Recomendo que escolha o número mais pequeno com que consiga mexer os braços, mesmo que em certa posições sinta tensão no tecido. Não vai usar o blazer para jogar basquetebol ou trabalhar no campo. A mobilidade dos braços não é prioritária, a silhueta dos ombros sim.
Já não usava este blazer há algumas semanas (ver aqui) mas com a baixa de temperatura desta semana retirei-o do armário. É da Cortefiel e é talvez o meu blazer melhor acabado. O corte original era direito e disforme mas, depois de cintado, ganhou esta forma bem mais elegante.
As mangas também foram subidas para a altura certa. Um blazer bem ajustado revela a mesma largura de tecido na gola e nas mangas da camisa. Vestir bem é acima de tudo uma questão de harmonia e equilíbrio. Assim, as mangas do blazer devem bater 1 cm acima da linha do pulso para revelarem cerca de 2cm da manga da camisa (repare na última foto). Nem sempre se consegue um resultado assim, creio mesmo que este é o meu blazer melhor ajustado. Mas por ser tão raro faz toda a diferença.
Para se conseguir a simetria nas duas mangas dificultada pelo uso do relógio (veja a primeira foto) pode-se sempre adoptar o truque de Giovanni Agnelli de usar o relógio por cima da camisa.
O ajuste da roupa é o aspecto mais impactante num homem bem vestido como escrevi há uns tempos num artigo reproduzido aqui pela betrend.pt. Até um outfit tão sóbrio quanto este fica bem. No fundo, mais vale um fato Zara ajustado do que um Zegna largo. Acho que até a sua futura sogra concordará.
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