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novembro 14, 2012

Vamos falar de fibras

As percentagens são discutíveis, mas uma peça de roupa é definida em 50% pelo corte, 25% pelos detalhes/cor/padrão e 25% pelo tecido.

Os homens, erradamente, dão pouca importância ao corte mas, como tenho insistido, é aperfeiçoando aí que melhor se consegue atingir o objectivo "andar bem vestido".

Os detalhes (botões, fechos, golas) cores e padrões da roupa são mais valorizados porque traduzem mais a personalidade de cada um. Ao passo que o corte e o tecido da roupa obedece a directrizes mais objectivas e rígidas, no que toca aos detalhes e cores a subjectividade do gosto deve ser protagonista. Ainda que regras básicas, como padrões ou bolsos serem mais informais do que peças lisas, devam ser atendidas é na cor e nos detalhes da roupa que se forja a imagem estética que queremos passar.

Ficam a faltar as fibras que compõem os tecidos. A grande maioria dos homens não tem consciência da diversidade de fibras que podem ser usadas para fazer roupa e acredito que a maioria nunca olhe para a etiqueta antes de comprar. Mas se o sexo masculino não é capaz de dissertar sobre fibras qualquer ser humano é capaz de as distinguir pelo tacto e visão.

Quando se é adolescente e se vestem roupas disformes, com bonecos e frases, de cores/padrões garridos que rapidamente se deixa de gostar o tecido de que são feitas tem menos relevância. Mas quando se amadurece e o estilo, o conforto e intemporalidade do guarda-roupa deixam de ser palavras vãs, os tecidos começam a importar. E o guarda-roupa de um homem só deve ter roupa feita com fibras naturais (linho, algodão, lã, seda, etc.). As fibras sintéticas (poliéster, viscose, nylon, etc) não têm o mesmo tacto, aspecto, durabilidade ou capacidade de se moldarem ao corpo de uma fibra natural. As roupas composta por fibras sintéticas nunca caem tão bem no corpo, não se prestam a serem ajustadas por um alfaiate/costureira da mesma forma nem têm um aspecto tão luxuoso.

Claro que já estará a comentar que o luxo vem acompanhado do preço. É verdade que não há milagres, que   uma gravata 100% caxemira tem de custar mais do que uma 100% poliéster. Mas atenção que muitas marcas vendem roupa com misturas de fibras naturais e sintéticas pelo preço que outras pedem pelo mesmo artigo em tecido completamente natural.

Defendo ter menos roupa, mais sóbria e natural do que muita sintética. Vejamos o exemplo de um cardigan azul marinho, sem gola, sem bolsos e com botões castanho ou azul escuros. É uma peça clássica, intemporal que sempre se usou e sempre se usará. Que sentido faz comprar um cardigan assim se não for 100% natural? Se quiser poupar espere pelas promoções, todos os anos muitas marcas têm cardigans azul marinho nas suas colecções. Se o comprar com viscose ou poliéster, mesmo que numa percentagem baixa do tecido, sempre que se sentar no sofá com ele para ver um filme vai arrepender-se de o ter feito.

Dentro das fibras naturais há margem para o nosso gosto na hora de optar pois cada fibra natural tem as suas características e personalidade. O linho e algodão são mais informais do que a lã e seda. O linho mais fresco próprio para o verão e a lã mais quente adaptada ao inverno. Mais do que a maioria dos homens se possa aperceber conscientemente, o mesmo casaco (corte, cor, estilo) feito em algodão ou lã fica diferente. E existem ainda as misturas entre fibras naturais para mesclar características. Por exemplo, as camisolas em lã/seda têm um aspecto lustroso e elegante e os blazers em linho/algodão um visual descontraído e confortável.

Olhar para a etiqueta da composição deve ser algo tão normal de se fazer quando se compra roupa como olhar para a do preço. Até gosto de passar o tecido entre os dedos e tentar adivinhar a composição antes de confirmar na etiqueta.

outubro 01, 2012

Camadas de inverno

Para quem gosta de pensar no que veste estamos entrar na melhor altura do ano, aquela em que podemos jogar com as camadas (layering) de roupa para enriquecer e diversificar a forma como nos apresentamos dia após dia. Contudo para quem vive em Portugal (principalmente no sul), ou é naturalmente encalorado como eu, o Outono e o Inverno não são as épocas fantásticas que vive um inglês ou sueco mais atento à roupa. Tudo porque os termómetros nunca chegam a baixar o suficiente para tirar todo o potencial do layering. O máximo que consigo fazer (e já são dias excepcionais) são três camadas (tipicamente camisa-camisola/cardigan-casaco/blazer) mas o mais habitual é ficar-me pelas duas.

Para ultrapassar esta contingência geográfica tenho procurado seguir as seguintes regras à medida que vou renovando o meu guarda-roupa.
  1. Manter as duas camadas inferiores tão frescas quanto possível. E quando me refiro às duas inferiores quero dizer camisa (usada sobre o corpo) e camisola/cardigan/colete. Para o conseguir acho aconselhável descartar tecidos mais grossos como o algodão oxford em favor de outro mais fino como o poplin. Esta opção tem ainda outra vantagem. Deixamos de ter camisas de verão e inverno e passamos a ter camisas para todo o ano reduzindo assim o stock e o espaço ocupado pelas mesmas.
  2. Ao fim de semana pode-se e deve-se trocar as camisas por  t-shirts ou henleys. Tal como as camisas, de algodão fino. No inverno prefiro t-shirts e henleys de manga comprida dado que detesto a sensação de ter uma manga curta enrolada debaixo de uma camisola. As t-shirts e henleys de inverno são peças básicas e como tal na minha opinião não devem brilhar num outfit. Por essa razão só os compro em cores neutras e pálidas.
  3. A segunda camada (camisola/cardigan) deve também ser fina. Por essa razão ponho de lado os itens 100% lã e privilegio o algodão. Como esta camada é normalmente intermédia pode-se optar por prescindir das mangas  da camisola e cardigan (que não se vêem de resto). Em alternativa pode-se optar pelo colete clássico mais elegante. Falando em cores sou da opinião que as camisolas e os cardigans podem ser em cores que saiam da palete básica. O mostarda, o turquesa, o rosa ou o laranja são excelentes opções para uma camisola ou cardigan.
  4. Um artigo que faz uma camada intermédia muito versátil e impactante é a écharpe/cachecol. Novamente eu fujo daqueles em lã grossa pois isso é receita para eles não saírem do armário todo o inverno. Quanto a cores e padrões é um mundo mas o meu conselho é ter sempre os dois básicos (cinzanavy) antes de avançar para os mais radicais
  5. Os sobretudos (como o nome indica), gabardinas e trenchs nasceram para ser usadas como quarta camada (por cima do casaco). Mas em Portugal, quatro camadas para mim chama-se castigo por isso passei a apostar em usá-los não como escudo mas como substituto dos casacos. Desta forma compro-os num número abaixo do que o normal e mantenho-os slim como se de um blazer se tratassem.

setembro 11, 2012

Blazer DB riscado


Há umas semanas sugeri dois blazers de verão, um da Zara e um da Massimo Dutti. Esse post gerou algumas comentários relativamente à qualidade, quer dos materiais quer do corte, da roupa mais elegante da Inditex, principalmente da marca Zara. Como afirmei nesse post considero que a Zara é mais forte nos básicos o que não quer dizer que se exclua desde logo peças mais elaboradas. Este blazer é um exemplo disso mesmo.

Ele é feito em algodão e, talvez não se consiga ver nas fotos, mas não é o algodão mais luxuoso que existe. Mas tudo é relativo, este não é um blazer de €800 mas de €80 (ou mesmo metade para quem o apanhou nos saldos).

Quanto ao corte estou a usá-lo exactamente como o comprei e creio que as fotos falam por si. As mangas precisavam de ser ligeiramente encurtadas no comprimento e diâmetro mas para já vou usá-lo assim. Veremos depois de se moldar ao corpo se precisa de algum arranjo. Creio que não.


O corte é quase perfeito mas havia dois aspectos que gostava que fossem diferentes:
  1. Preferia que fosse de lã em vez de algodão, não só porque este algodão não tem o melhor dos toques mas também porque o estilo retro dele pedia a maior nobreza da lã.
  2. Tenho pena que não tenha as calças correspondentes (também em lã) que ficariam estupendas como fato ou conjugadas com outro blazer.
As lapelas talvez sejam um pouco avantajadas mas de resto gosto de tudo nele: do tom petróleo do azul (nas fotos, por causa da falta de luz, parece navy), do swag das riscas brancas, da distribuição dos botões e da rigidez dos ombros.


setembro 07, 2012

Camisa desportiva com dois bolsos


Uma característica da roupa é quanto mais bolsos tem mais informal é. As camisas não fogem a essa regra e normalmente as mais informais têm dois. É o caso desta camisa de linho da Red Oak. Sou fã confesso das camisas desportivas desta marca portuguesa como já tinha dito aqui.

Quando estava a carregar as fotos apercebi-me que este look não difere muito deste, na verdade segue a mesma lógica deste. Acho que este acaba por ser o preferido dos três pela simples razão de esta camisa ter um tom de azul formidável.

Ainda que ache que a roupa desportiva se possa usar mais larga esta camisa já foi cintada depois destas fotos. Ainda pensei encurtá-la para usar por fora das calças mas mantive-a com o comprimento original. Como discuti anteriormente uma camisa para usar por fora deve terminar cerca de quatro dedos abaixo do botão das calças. Em termos de comprimentos de camisa não faço compromissos, ou é dentro ou é fora! Com um comprimento intermédio saem facilmente das calças quando usadas por dentro e nunca ficam bem por fora.



Estes chinos são outro bom exemplo de que o corte é quase tudo na roupa. Quando os comprei estavam bem nas pernas mas indescritivelmente largos na cintura. Depois de apertadas tornaram-se numa das minhas calças favoritas por serem tão confortáveis.



Uma das formas de limpar um visual (que já tinha abordado no blogue aqui) é usar um cinto que se funda cromaticamente com as calças (ou camisa/t-shirt) e assim eliminar essa linha de quebra. Aqui até podia ter optado por não usar cinto dado as calças não precisarem de ser seguras. No entanto, gosto de usar este par calças/cinto por parecerem feitos um para o outro.


setembro 05, 2012

Essencial XVIII - fato cinza de verão


Em termos de fatos um homem tem as necessidades mais ou menos cobertas se tiver três de inverno e três de verão. Os de inverno devem ser mais escuros, um azul marinho, um cinzento carchoal, um castanho ou cinzento acastanhado, e de tecido mais quente. Os de verão mais claros, azul petróleo, cinza claro e caqui/bege, em materiais mais respiráveis.

Este é o meu fato cinza de verão, 100% linho que é uma opção pouco habitual em Portugal e sempre arriscada. Arriscada porque o linho perde a compostura facilmente. Estas fotos foram tiradas depois de um dia a usá-lo, tirem as vossas conclusões sobre se os vincos lhe dão personalidade ou ar desmazelado.

Dada esta característica do linho parece-me prudente usar o fato apenas uma vez por semana e deixa-lo pendurado no resto do tempo para que ele possa esticar e perder as rugas. Ainda assim é inevitável que ele necessite de ser passado a ferro mais vezes do que o normal noutros tecidos.

Outro aspecto que merece atenção é a marcação da bainha de calças de linho que não deve ser feita com elas novas e esticadas. Como inevitavelmente vão enrugar e "encurtar" deve marcar-se depois de um dia de uso. Também convém serem marcadas com os sapatos com que se vai usar normalmente. Como no verão uso quase exclusivamente loafers e drivers, que são sapatos mais baixos do que os normais bluchers e oxfords de inverno, as minhas calças de verão são ligeiramente mais longas do que as de inverno.



Este fato mais especificamente tem três incongruências. A primeira detesto, a segunda aceito e a terceira gosto:
  1. É forrado o que não faz grande sentido num fato de verão que se quer fresco e desestruturado.
  2. Tem ticket pocket e bolsos inclinados que têm sido recuperados recentemente e são conotados com informalidade. Ainda que o ticket pocket tenha originado nos sport jackets dos cavaleiros ingleses para guardar trocos eu discordo que ele introduza informalidade num casaco, pelo contrário acho que ficam mais sérios. Para além disso, linho grita Nice e ticket pocket e bolsos inclinados têm a cara de Londres o que me parece não se cruzar. Apesar de não ser o melhor blazer para aplicar um ticket pocket aceito a opção pois introduz variedade no meu guarda-roupa o que não me parece uma má ideia.
  3. Ainda que seja um fato de verão ele é constituído por três peças (já tinha mostrado o colete aqui). Quanto a mim todos os fatos, pelo menos os de inverno, deviam ser vir com colete. É uma peça muito elegante que ajuda a esconder um problema que afecta muitos homens, a barriga grande. Também é uma peça perfeita para fazer camadas no inverno. Num fato de verão é menos relevante e para mim, que tenho normalmente calor, acho que nunca vestirei as três peças juntas. 


Das camisas mais óbvias para se usar com um fato cinzento é uma vichy. E a cor mais óbvia para uma camisa vichy é o azul marinho. Esta camisa em concreto será um dos próximos essenciais no blogue. Sendo verão a descontracção de uns loafers em camurça clara e sola branca complementa coerentemente o fato em linho.

julho 02, 2012

Inspiração militar

Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Esta é a segunda vez que visto estas calças com um blazer, já o tinha feito aqui. É certo que o blazer assertoado nasceu na marinha ao passo que as cargo pants são vestuário do exército mas as duas peças conjugam-se muito bem num uso civil. Até as podia ter vestido na semana anterior dado que a combinação blazer double breasted + cargo pants + monk straps é o trio da moda quando se fala de estilo masculino italiano.


Gosto de blazers assertoados mas tem de ser o blazer assertoado certo. No caso deste tipo, e ainda mais do que no blazer clássico, o número de botões, o números de botões verdadeiros e a distribuição destes é crucial. O blazers assertoados caracterizam-se da seguinte forma: nº total de botões / nº botões verdadeiros. Este blazer é um 6/2, é o equivalente a um blazer  clássico de dois botões, e é o blazer assertoado mais habitual. Também é o único que gosto. Existe o 6/1 também conhecido como Kent mas quanto a mim fica com uma lapela demasiado longa e antiquada.


No reverso da medalha certas marcas procuram fazer blazers diferentes (6/3, 4/2 e até 2/1) mas acho que na procura de originalidade só pioram o desenho clássico. Os blazers DB 4/2 ou 2/1 têm um aspecto menos institucional do que o 6/2 mas uma certa rigidez, e até masculinidade, militar é a razão que vejo para optar por um blazer assertoado no lugar de um normal. Os 6/3 pecam pela mesma razão dos clássicos de três botões, uma lapela demasiado curta. Botões 6/3 fazem sentido em trenchs e pea coats não em blazers. Neste post sobre a colecção Gucci SS2013 surgem alguns destes blazers vanguardistas que não me entusiasmam.


Depois do número certo, a distribuição destes é fundamental na beleza do blazer. Os de cima devem estar mais afastados e os quatro inferiores devem formar um quadrado de tamanho médio. Se o quadrado for grande demais a sobreposição dos dois lados fica excessiva, se for muito pequeno as duas linhas verticais ficam demasiado juntas e desiquilibradamente distribuídas no tecido. Este blazer tem a distribuição certa e foi precisamente nisso que eu reparei em primeiro lugar. O facto de os botões serem brancos foi um bónus dado que, como já mencionei, gosto de ver botões claros em blazers escuros.


A camisa de ganga, desde que num estilo clássico como aqui, enquadra-se muito bem neste estilo business casual. Até podia ter colocado uma gravata tricot navy se quisesse um pouco mais de sofisiticação.


junho 22, 2012

Sóbrio e ajustado


Desde já aviso, hoje não há nada de novo ou cintilante. Só artigos neutros e já mostrados noutros looks anteriores. Alguns dirão que é monótono, eu chamo-lhe sóbrio. Interprete como a minha sugestão para quem vai pela primeira vez a casa dos futuros sogros. Ou para aqueles dias em que damos tudo para passarmos despercebidos. Não que isso fosse possível assim vestido. Não é vaidade, é a constatação de que 90% dos homens portugueses não se vestiriam assim. Porquê? Por duas razões.


1ª razão: as calças brancas. É quase tabu em Portugal, mas erradamente. O branco dá com tudo. Vista umas calças brancas e é menos uma conjugação para fazer. Que homem não gosta desta simplificação? Estas são as clássicas 501 da Levi's que, para não conhece a numeração da marca, é o seu corte mais clássico. Demasiado clássico para mim que uso as calças mais curtas do que o normal. Na verdade uso-as no comprimento correcto, a maioria dos homens é que as usa compridas demais. As calças devem terminar em cima da pala de um sapato de atacadores. A bainha pode dobrar ligeiramente mas nunca enrugar. As rugas encurtam as pernas e dão um ar descuidado. E a personalização não pode ficar a meio.


Umas calças com o comprimento correcto exigem outra coisa, a correcta largura da perna. O corte da perna das 501 é direito mas o diâmetro da perna masculina é igual na coxa, joelho e tornozelo? Não, não é. A roupa devem seguir o contorno do corpo por isso mandei afunilar a parte inferior das calças. Creio que estas foram reduzidas para 20cm de largura na bainha. Actualmente estabeleci esse valor nos 18cm que me parece ser o valor correcto para a minha fisionomia. Naturalmente não o faço em todas as calças mas de origem este par fazia-me parecer o John Travolta em Saturday night fever. Inadmissível.


Fora o corte das pernas estes jeans são perfeitos. Estive cerca de dez anos sem comprar calças Levi's mas estas são as calças de ganga com mais qualidade que tenho. A ganga tem o grande inconveniente de alargar mas começo a achar que este par não precisará de ser apertado como é costume nas calças de ganga. Para mitigar este problema compro as calças num número que em me fique ligeiramente apertado quando novas. E tento usar as calças umas dez vezes antes da primeira lavagem para elas se formarem ao corpo antes de levarem a tareia da máquina de lavar. Eu  sei, se forem brancas é um desafio usar tantas vezes sem lavar. Existe uma terceira dica, lavar os jeans sempre à mão. Eu passo esta muito obrigado.




2ª razão: o blazer cintado. 90% dos homens usa os blazers um número ou mais acima do correcto. Para quem não recorre a alfaiate, um blazer pronto-a-vestir é essencial que fique bem nos ombros porque é a correcção mais dispendiosa e trabalhoso de se fazer. A costura deve ficar exactamente onde o ombro termina e o braço começa. Se não lhe ficar bem no ombro esqueça, há mais marés que marinheiros. Recomendo que escolha o número mais pequeno com que consiga mexer os braços, mesmo que em certa posições sinta tensão no tecido. Não vai usar o blazer para jogar basquetebol ou trabalhar no campo. A mobilidade dos braços não é prioritária, a silhueta dos ombros sim. 


Já não usava este blazer há algumas semanas (ver aqui) mas com a baixa de temperatura desta semana retirei-o do armário. É da Cortefiel e é talvez o meu blazer melhor acabado. O corte original era direito e disforme mas, depois de cintado, ganhou esta forma bem mais elegante.


As mangas também foram subidas para a altura certa. Um blazer bem ajustado revela a mesma largura de tecido na gola e nas mangas da camisa. Vestir bem é acima de tudo uma questão de harmonia e equilíbrio. Assim, as mangas do blazer devem bater 1 cm acima da linha do pulso para revelarem cerca de 2cm da manga da camisa (repare na última foto). Nem sempre se consegue um resultado assim, creio mesmo que este é o meu blazer melhor ajustado. Mas por ser tão raro faz toda a diferença.


Para se conseguir a simetria nas duas mangas dificultada pelo uso do relógio (veja a primeira foto) pode-se sempre adoptar o truque de Giovanni Agnelli de usar o relógio por cima da camisa.


O ajuste da roupa é o aspecto mais impactante num homem bem vestido como escrevi há uns tempos num artigo reproduzido aqui pela betrend.pt. Até um outfit tão sóbrio quanto este fica bem. No fundo, mais vale um fato Zara ajustado do que um Zegna largo. Acho que até a sua futura sogra concordará.


junho 12, 2012

A melhor amiga do pé


Não há como negar, os sapatos slip on em geral e os driving moccasins em particular ficam bem a mostrar parte dos pés. O problema é que andar sem meias gera enorme desconforto, maus odores e deteriora mais rapidamente os sapatos.

Mas há um compromisso entre manutenção de estilo e concessões práticas, os pézinhos ou meias invisíveis, como lhe queiram chamar. Para mim, que não consigo andar sem meias, são indispensáveis.

junho 04, 2012

Sapatos fora da palete de conforto

Um blazer assertoado, cinco segundas-feiras

28/05 ; 04/06 ; 11/06 ; 25/06 ; 01/07


Em relação à semana passada o look de hoje é mais requintado mas sem deixar de ser desportivo. Salta imediatamente à vista o vermelho dos sapatos. Para que eles não pareçam aterrados ali vindos do nada coloquei esta gravata xadrez. O vermelho da gravata é como o bilhete de entrada para os sapatos, enquadra-os no conjunto clássico. Porque o vermelho sai fora da zona de conforto cromática mantive tudo o resto o mais neutro possível. Uns chinos beges e uma camisa azul clara são tão neutros quanto se possa querer.


Nas fotos não dá para ver mas o algodão da camisa tem um efeito espinha que, quem me segue, saberá que gosto muito de ver ver em roupa, seja casacos, camisas ou mesmo gravatas. O tecido espinha tem dupla personalidade, é delicado e rufia ao mesmo tempo. É como aqueles vilões que distribuem charme na festa e depois se esgueiram até escritório da casa para roubar as jóias do cofre, não hesitando em matar à queima-roupa quem se atravessar no seu caminho.


Hoje vou escrever um pouco mais sobre o blazer. Talvez mais do que nos blazers de uma fila de botões, o tailoring de um blazer assertoado é essencial para não parecer, literalmente, um saco enfiado pela cabeça. Seria incapaz de vestir este tal como o comprei. Das costas foi retirado tecido que dava para fazer outra lapela. E quando olho para as fotos não deixo de notar que se as mangas fosse apertadas do cotovelo ao punho ele ainda ficaria melhor.

Existe uma opinião largamente difundida de que os blazers assertoados não são apropriados para homens mais volumosos de barriga. Mas essa percepção desafia a lógica ou então, mantendo o imaginário cinematográfico, sou eu que estou sugestionado por filmes de gangsters na período da lei seca americana. Naturalmente que um blazer largo, seja assertoado ou não, não favorece um barriga grande. Mas desde que devidamente ajustado, as duas linhas de botões acentuam a verticalidade do corpo e distraem do volume da cintura o que melhora a aparência de um homem com mais cintura. 

Já os homens baixos não beneficiarão tanto dos blazer assertoados. À semelhança dos antigos blazer de três botões, o seu V está, invevitavelmente, mais subido do que num blazer de dois botões. Por essa razão um homem mais baixo tenderá a ficar como uma figura desproporcionada e ridicularizada se vestido com um.

Poder-se-à questionar a sensatez de adquirir um blazer assertoado navy quando já se tem um de dois botões nesta cor. Por enquanto, pois acredito que venham a ficar mais populares nas próximas épocas, compram-se os blazers assertoados que aparecem e não aqueles que se quer. Não obstante esta evidência, considero que os dois são suficientemente diferentes para poderem coexistir num armário. E depois podem ser sempre diferenciados pelo tecido de que são feitos, cor dos botões, etc. 



maio 31, 2012

O caso da camisa xadrez


Uma das peças de roupa mais arriscada de adquirir é a camisa com padrão xadrez. É um risco porque nunca sabemos quanto tempo vamos gostar dela, se seis anos se seis meses. E sou da opinião que se fizermos uma compra a que não damos uso pelo menos quatro temporadas foi uma má adição. Nunca compro uma camisa xadrez a primeira vez que a vejo. Deixo a ideia amadurecer na minha cabeça. As compras de impulso são sempre más. Em camisas xadrez podem ser desastrosas. Não tenho muitas, mostrei uma de inverno e agora mostro esta. Um guarda-roupa masculino precisa de pelo menos uma camisa axadrezada.

Um dos truques mais elementares para escolher as calças para usar com uma camisa xadrez é conjugar a sua cor com um dos tons da camisa. Aqui a tarefa está simplificada porque esta camisa tem várias cores (areia, laranja, verde, azul), todas em tons neutros. As calças são umas Dockers num algodão muito fino (talvez o par mais fresco que tenho) e num tom areia quase branco. Creio que estão à beira dos 10 anos mas com uma actualização recente acho que duram outros tantos.

Os mocassins foram um achado de fim de saldos. Acho que eles só estavam ainda disponíveis porque muitos pensaram como eu: o verde é giro mas com a sola e atacador em turquesa não. A verdade é que o turquesa diminui em 50% a versatilidade deste par. Mas 50% da versatilidade por 50% do preço soou-me suficientemente bem.

Ironicamente aqui usei os sapatos devido e não apesar da cor turquesa. Como as calças combinam com a camisa e os sapatos combinam com o cinto e a camisa, ainda por cima tudo em tons neutros, o conjunto ia resultar demasiado certinho e triste. Acho que os sapatos introduzem uma quebra bem-vinda.

Quando tirei estas fotos estavam mais de 30ºC. Se estivesse mais fresco completaria com um casaco castanho ou azul marinho, talvez este cardigan

maio 22, 2012

Essencial XIII - Écharpe cinza claro


Sinceramente não sei se se pode considerar uma écharpe um essencial mas é uma excelente adição a qualquer guarda-roupa. Diz-se que é através dos acessórios que se faz a diferença e é difícil discordar. A écharpe é dos melhores acessórios que um homem pode aproveitar. Até porque, além da função decorativa, também contribui para o conforto térmico.

Ainda que seja tentador ter écharpes numa variedade de cores e padrões acho que é importante não dispensar uma simples num cinza claro. É discutível que seja a cor essencial de uma écharpe mas creio que nenhuma outra é tão abrangente. Para quem achar a cinza monocromática demasiado banal esta pode, em alternativa, ter bandas de vários tons, como branco/cinza claro/cinza escuro por exemplo. Mas é importante que as bandas sejam longitudinais e não transversais. Como a écharpe vai ficar caída sobre tronco as bandas longitudinais criam verticalidade e dão a ilusão de um corpo mais alto e elegante.

Isoladamente, não usaria esta camisa com este blazer, não gosto suficientemente do resultado. Mas com a écharpe e o lenço de bolso o par blazer/camisa passa para segundo plano e o conjunto já me agrada. Todas as cores são neutras, não ofendem, e claras, propícias a um look de verão. O lenço de bolso também é cinza e faz pendant com a écharpe. Amanhã podia trocar por um lenço e uma écharpe azul que ninguém ia reparar que a camisa e o blazer eram os mesmos. É essa a vantagem dos acessórios.

Já me têm perguntado - Mas tens mais do que um par dos mesmos sapatos? - ao que respondo - São de cores diferentes. Não vejo o problema de ter as mesmas peças em várias cores e tenho dificuldade para entender o espanto. Se gostamos do design base, cores diferentes fazem efectivamente peças diferentes para usar em diferentes ocasiões, a diversidade não é beliscada. Eu tenho pares e até trios de sapatos, t-shirts, casacos, calças. Os sapatos wingtip cinzentos que uso nestas fotos são iguais aos castanho que usei aqui.

Sapatos - Aldo; Calças ganga - Salsa
Écharpe e lenço de bolso algodão - Zara
Blazer algodão - Decenio; Camisa linho - Massimo Dutti

maio 19, 2012

O caso das bermudas de ganga

Não tenho nada contra bermudas de ganga, antes pelo contrário, até gosto de ver. Mas acho que comprar umas é perder uma oportunidade de diversificar o guarda-roupa. Todos nós temos calças de ganga e o look de umas bermudas de ganga não difere muito do de umas calças de ganga com as bainhas enroladas. Essa é uma das vantagens das calças de ganga, poder variar a altura de perna, que pode ser aproveitada nos dias quentes.

Outra questão em relação às bermudas de ganga é que, pela sua construção, é um tecido algo quente para um artigo próprio do verão. Não sei a ganga de linho é notoriamente mais fresca neste aspecto dado que nunca experimentei. Mas a ganga de algodão não é certamente o tecido de eleição para essa estação.

maio 18, 2012

Essencial XII - Lenço de bolso branco

Indiscutivelmente o lenço no bolso do blazer está de volta. Basta ver televisão, todas as semanas surgem mais homens que os empregam. Os pivots João Adelino Faria e José Alberto Carvalho são dois deles, o comentador económico Luís Nazaré idem. O António Lobo Xavier já não o dispensa na Quadratura do círculo (na foto).

Em quase todos estes casos a opção recai sobre o lenço branco e é natural que assim seja. O lenço branco é o mais discreto e por isso aquele que se usa com menos reservas. Também é o mais neutro e mais facilmente conjugável. Por estas razões é o lenço de bolso básico e um essencial para os homens que usam blazer.

Já o escrevi no blogue, na relação preço/resultado o lenço de bolso é a mais eficaz opção de acessório masculino. Se ainda não usa experimente, comece pelo essencial branco, ou em alternativa, um branco emoldurado num tom neutro de azul.

O lenço de bolso tem a grande vantagem de, por um baixo custo, dar um toque especial a qualquer conjunto. E é aliado dos homens com mais barriga já que capta a atenção de quem olha e desvia-a da zona abdominal.

maio 11, 2012

Essencial XI - Camisa rosa claro


Depois do azul claro e branco considero o rosa claro o tom mais imprescindível para uma camisa. Pode ser lisa ou às riscas/quadrados com branco, fundamental é que o rosa seja pálido para garantir subtileza e neutralidade. Esta tem micro-riscas rosa/branco.

Ainda que bastante versátil, a camisa rosa brilha mais quando conjugada com beges ou castanhos claros. Esta combinação é uma das mais antigas no protocolo masculino. Consta que o homem que, inadvertidamente friccionou um pau em palha e descobriu o fogo, vestia um blazer bege e uma camisa rosa.

Esta camisa tem punhos franceses, um detalhe de visual requintado mas que tolhe parte da versatilidade. Primeiro porque só funciona com blazers, não encaixa debaixo de uma camisola ou cardigan. Segundo porque é suposto ser usada sempre com os punhos fechados e em dias quentes como o de ontem enrolar as mangas torna-se imperioso. Para quem não se veste diariamente de formal bastante formal não é uma aposta racional.

Outra combinação cromática clássica a que já me tenho referido é a bege/navy. Aqui aparece invertida. Diz-se que os homens mais dotados de barriga a devem evitar. Teoricamente faz sentido, se as cores escuras disfarçam o volume usar um blazer claro com umas calças escuras realça o volume abdominal. Na prática, acho que, desde que se goste de ver, deve ignorar este conselho. Inverter as cores é uma forma não negligenciável de diversificar os looks.

Abaixo da cintura vesti-me de forma mais informal. As calças são umas chino tradicionais e os sapatos uns penny loafers em camurça. Não gosto muito de loafers, e a principal razão é não gostar do design recto do loafer típico. É muito raro encontrar uns que goste, mas é o caso destes da Massimo Dutti. Os casual shoes são, quanto a mim, uma das especialidades da casa espanhola, pois têm um design moderno que vai ao encontro daquilo que procuro em sapatos mais desportivos. E os loafers são sapatos informais. Outra coisa que me levou a apostar neste par é a cor. Não é fácil encontrar sapatos com o tom certo de verde mas estes têm-no. Em sapatos de verão também gosto do apontamento da sola branca.

Gosto de ver sapatos slip-on sem meias. Com temperaturas acima dos 30ºC sabe bem andar sem meias a tapar o tornozelo seja qual for o tipo de sapato. A decisão não foi complicada, porém nem todos a podem tomar em dias de trabalho.

Blazer algodão - Decenio; Camisa algodão - Massimo Dutti
Sapatos camurça - Massimo Dutti
Calças chino - Zuky; Relógio cronógrafo - Swatch

maio 07, 2012

No meio está a virtude

Hoje vou escrever sobre botões. Mais concretamente botões frontais de blazers single breasted (uma única coluna de botões). As regras que escrevo aqui são, em grande parte, quase universais para o estilo masculino. Mas isso não quer dizer que tenham de ser seguidas à risca, ou que não sejam possíveis variações consoante o nosso gosto.

Os blazers normais têm, na sua maioria, dois botões frontais. Na minha opinião é essa a conta ideal, salvo se estivermos a falar de casos extremos de homens muito altos ou singularmente baixos.

Os blazers de três botões caíram em desuso há cerca dez anos. Ainda se encontram à venda em outlets mas sou da opinião que, independemente do desconto, não se devem adquirir. O problema dos blazers antigos de três botões é a lapela ficar muito curta o que faz com que tenha um V muito aberto. Esse corte cobre demasiado a camisa e/ou gravata e dá um ar um pouco ridículo a quem o usa.

Nos blazers de três botões mais recentes (como o da foto abaixo) a lapela alonga-se para ficar com um corte semelhante ao de um blazer de dois botões. Isso significa que o botão superior fica escondido e nunca deve ser fechado. Sendo assim para quê colocá-lo lá. Entendo que seja para criar simetria mas acho que não faz sentido existir a casa de um botão no meio da lapela. Fica estranho e pouco estético. 

Blazer de três botões
A outra alternativa são os blazers de um botão, a opção tradicional para smokings mas menos usual em fatos ou sport jackets. Associo este blazers a gravatas skinny, e estas duas tendências são mais características de adolescentes. Não desgosto mas o blazer de um botão não tem a elegância do de dois e por isso só uso blazers de dois botões.


Blazer de um botão
Pode dizer-se que o número de botões dos blazers vai obedecendo à moda e que, se agora o de dois botões recebe a aprovação maioritária, daqui a uns anos poderemos recuperar o de três ou simplificar para o de um botão. Não acredito que aconteça tão cedo, acho que o blazer de dois botões é o mais usado precisamente por ser o mais equilibrado. Mas se a moda mudar amanhã o blazer de dois botões é a melhor aposta hoje dado que, como está no meio, nunca ficará demasiado longe da tendência.
Blazer de dois botões

abril 30, 2012

3 coisas que verão aqui neste verão

Depois das três tendências que não têm a minha adesão aqui ficam três sugestões que irei usar nos próximos meses:

1. driving moccasins
Os driving moccasins não são propriamente novidade mas, pelo menos em Portugal, têm renascido nas duas últimas temporadas. Acho que este ano estarão mais em força. E, seguindo a tendência deste verão, em várias cores.

Porque será interessante ter pares em várias cores e porque os driving moccasins são sapatos de vida limitada acho mais racional ter quantidade em vez de qualidade. Esta foto é de uns Tod's edição Ferrari, uma preciosidade que custa, provavelmente, o mesmo do que toda a colecção de driving mocs da Zara.

2. calças brancas

Também não são novidade mas permanecem uma raridade em Portugal. No entanto, injustificadamente. Não existe cor mais conjugável nem cor mais confortável no verão do que o branco.

Todos os homens deviam ter pelo menos um par de calças brancas, idealmente mais pois tendem a sujar-se mais do que o habitual. Ter mais do que um par é uma oportunidade para ter umas calças brancas para cada ocasião. Uma aposta que recomendo vivamente.

 3. cintos finos
Os cintos largos com grandes fivelas já não se usam há alguns anos. Mais recentemente eles começaram a ficar mais estreitos a ponto de haver propostas de cintos skinny para homens. Demorei algum tempo a apreciar mas sou fã confesso. Os cintos finos compõem um visual sem o dominar. E são úteis em homens mais baixos para quem as linhas horizontais diminuem a noção de altura.

abril 27, 2012

O ignorado fato em algodão

Em Portugal o fato é genericamente uma imposição não uma opção. São poucos os homens que os usam por gosto. E são ainda menos aqueles que saem do óbvio fato em lã de cor escura, embora se compreenda que muitas empresas tenham um dress code que não o permite. Mas existem as noites e os fins de semana para se poder usar um fato de forma mais descontraída. Principalmente no verão, altura em que apetece usar tecidos mais leves.

A alternativa mais óbvia é o algodão. Ainda que não seja trivial encontrar fatos de algodão em Portugal acho que todos os homens deviam ter pelo menos dois no armário como defendi aqui. O linho tem ainda mais estilo. Claro que os fatos de linho tendem a enrugar-se com grande facilidade mas para um look cool de verão são quase inultrapassáveis. Mas o algodão é mais prático e decididamente a opção mais racional para diversificar os fatos no armário. Uma terceira via é cruzar os dois tecidos numa mistura algodão/linho cada vez mais habitual.

O homem na foto abaixo é de uma das grandes referências mundiais do estilo masculino, George Cortina. O George Cortina usa e abusa de peças de algodão (blazer, calças, fato) e quanto a mim essa é uma das razões que o faz ter tanta pinta. Curiosamente não gosto nem da cor nem dos detalhes do fato que ele veste nesta foto. Já o corte é perfeito. Contudo serve para ilustrar o potencial do fato em algodão.

George Cortina

abril 25, 2012

Camisa por fora?

http://www.marianorubinacci.net/club/
Do meu ponto de vista existem muito poucas ocasiões e camisas que recomendem que sejam usadas por fora. Uma camisa de linho larga com umas bermudas de linho num ambiente descontraído de verão, como a imagem ao lado sugestiona, é um desses poucos momentos. No resto do tempo mantenha a sua camisa presa. Não que seja proibido andar desfraldado, simplesmente não tem estilo.

Colocar a camisa por dentro das calças tem o valor simbólico de diferenciar o adolescente do homem. Não é cool usar a camisa por fora das calças. Se tem alguma dúvida olhe para aquilo que fazem ícones do estilo como David Gandy ou Ryan Gosling.

Existem duas razões para usar a camisa por fora e na minha opinião nenhuma justifica a penalização no estilo. A primeira é vestir-se camisas demasiado largas, problema que se resolve com €10 numa costureira. A segunda é a presença de uma barriga mais crescida. Nesse caso poderá custar mais a resolver, pelo menos em força de vontade, mas a recompensa valerá a pena. Toda a roupa assentará melhor, sentirá mais bem-estar e vontade de se olhar ao espelho.

Fica a saber, se quer captar mais olhares femininos, troque a televisão pelas sapatilhas ou a bicicleta, mande cintar as suas camisas e meta-as por dentro das calças.

abril 09, 2012

Blazer navy de verão


Em 1997 a Mercedes-Benz popularizou o descapotável com capota metálica ao lançar a primeira geração do SLK. Volvidos quinze anos quase todas as marcas generalistas têm uma versão coupe-cabrio (a forma como estes descapotáveis são mais conhecidos) dos seus modelos mais populares. É fácil entender porquê, apesar de ceder à capota de lona na beleza, a capota rígida é mais segura, prática e faz um habitáculo mais confortável.

O mesmo se passa no tecido que mais identificamos com o verão, o linho. O linho é fresco e respirável e por isso ideal em dias quentes. Eu gosto muito da textura do linho que dá às roupas com ele feito um aspecto simultaneamente casual e sofisticado. Mas o linho tem um grande defeito, enruga-se facilmente. Numa camisa que é usada um dia e depois vai para a máquina da roupa não será problemático mas já o é em blazers, calças ou fatos que não podem ser lavados depois de cada utilização.

Alternativa mais prática, ou a capota metálica, uma mistura linho-algodão que é a solução de muitos blazers e fatos de verão. Outra alternativa é usar um tecido em linho numa microestrutura como este blazer Massimo Dutti (se escrevi alguma asneira sobre tecidos reconheço a minha ignorância e agradeço correcção). Ainda não o vesti muitas vezes mas posso dizer que ele se enruga mais do que um típico blazer 50% algodão/50% linho. Pouco importa, gosto muito do efeito deste tecido.

O blazer navy é o casaco mais fundamental no guarda-roupa de um homem. Como é muito difícil arranjar um suficientemente quente para o rigor de inverno e arejado o bastante para o pico de verão acho que é muito complicado não possuir pelo menos dois. Este Massimo Dutti é quase a minha interpretação do sport jacket navy de verão perfeito. Como afirmei em cima gosto da textura do tecido microestruturado. Mas também gosto do aspecto desportivo dos bolsos de chapa e dos botões beges. E como não tem forro é leve e fresco. A única coisa que mudaria seria desestruturar os ombros demasiado rígidos para um casaco que de resto fica no extremo mais desportivo da escala dos blazers. Era simpático, principalmente num blazer de verão, que os botões das mangas fossem funcionais mas não vou ser picuinhas. Ainda conto que com o uso o blazer perca alguma rigidez e se molde ao meu corpo ganhando um aspecto mais natural.

Os chinos também são da Massimo Dutti e creio que a dupla só não fará parte de um futuro lookbook da marca porque estas calças apareceram no de Fevereiro. A Massimo Dutti também é responsável pelo cinto e pelos sapatos.

Desde esta altura que me tenho deixado convencer pelas meias às riscas e os moccasins, por serem mais abertos, são os sapatos ideais para as mostrar.

Blazer linho e calças chino - Massimo Dutti
Sapatos - Massimo Dutti; Meias - Zara
Camisa algodão - Mike Davis; Lenço de bolso algodão - Zara
Cinto pele - Massimo Dutti